
15 de set · Cursos e Palestras
A História vai ao cinema
Comprar · R$ 220,00
A compra acontece no site da Sympla. Com taxa, a partir de R$ 242,00.
Sobre o evento
Débora Tavares é mestre e doutora em literatura pela Universidade de São Paulo (FFLCH-USP), onde pesquisou a obra de George Orwell e sua relação com a História. Atua como professora, oferecendo cursos sobre literatura, relações entre arte e sociedade, assim como metodologia de pesquisa. Autora de ensaios nessa área, entre eles o posfácio “A esperança vem do plural” da edição de 1984 publicado pela editora Antofágica.Caio Rubini é doutorando em História Social pela FFLCH-USP, Mestre em Pensamento Político e Social (Filosofia) pela University of Sussex (Reino Unido), historiador e professor de História pela Universidade de São Paulo (FFLCH/FE- USP), e bacharel em Comunicação Social — Jornalismo. Ministra cursos de Humanidades na Livre Literatura, com ênfase em História e Filosofia. Pesquisa elementos históricos e filosóficos do século XX e XXI a partir da Teoria Crítica, com ênfase na obra de Walter Benjamin e sua recepção crítica.Contato E-mail: cursolivre.literatura@gmail.com InstagramFacebookSite Horário síncrono: 19h30 - 21h30 (Horário de Brasília) Datas das aulas: 15, 22 e 29 de set e 05 de outGravação disponível até: 31/10 e 31/12 (Plano Cátedra)Via Google Meet - aulas ficam gravadasNeste curso vamos percorrer quatro momentos decisivos da história ocidental. Partindo da Antiguidade Clássica e chegando até o momento presente, analisaremos a relação entre o conhecimento adquirido sobre o passado e sua consequente reconstrução diante dos termos da indústria cultural, a partir de suas representações no cinema. Analisaremos escolhas de fonte históricas e historiográficas, afinal, de onde os diretores e produtores tiram suas informações? Além disso, vamos estudar a montagem de roteiro, escolha de atrizes e atores, fotografia e narrativa como escolhas que carregam interpretações históricas, e discutiremos os limites e as possibilidades do cinema como instrumento de memória, de crítica e de disputa pelo sentido do passado. Aula 01 (10/09): Antiguidade Clássica, mito, narrativa e memóriaA Antiguidade Clássica ocupa um lugar fundador na cultura ocidental, situada na fronteira entre mito e história. O cinema também tem uma relação fundadora com esse período, já que o épico histórico é um dos gêneros mais antigos de Hollywood, e sua trajetória atravessa momentos decisivos da própria indústria. Spartacus, de 1960, carrega o roteiro de Dalton Trumbo, então na lista negra do macarthismo, o que transforma a revolta de escravos romanos em alegoria sobre liberdade de expressão no auge da Guerra Fria. Vamos observar como esse mesmo material mítico é recontado por olhares e décadas diferentes, incluindo casos-limite de disputa entre direção artística e interesses comerciais, como Calígula, até chegar à disputa recente entre a leitura de Christopher Nolan e a representação intimista de Uberto Pasolini sobre o mesmo mito homérico.A Odisseia (The Odyssey, 2026), dir. Christopher NolanO Retorno (The Return, 2024), dir. Uberto PasoliniTroia (Troy, 2004), dir. Wolfgang PetersenSpartacus (1960), dir. Stanley KubrickCalígula (Caligula, 1979), dir. Tinto BrassRoma (série, 2005), HBOAula 02 (17/09): Idade Média: poder, fé e a construção da narrativa históricaA Idade Média, tantas vezes reduzida ao termo "idade das trevas", é também um território de disputa entre reconstrução histórica e estilização no cinema, além da forte romantização e idealização que o Medievo enfrenta através da indústria cultural. O período passa pelo próprio nascimento da linguagem cinematográfica, já que no cinema mudo Carl Theodor Dreyer usava o julgamento de Joana d'Arc para explorar o close-up como ferramenta expressiva, e décadas depois Laurence Olivier faria de Henrique V um instrumento de propaganda de guerra, financiado pelo governo britânico em plena Segunda Guerra Mundial. Nesta aula, vamos comparar essa tradição mais solene com revisões contemporâneas mais céticas quanto à heroificação medieval, como O Último Duelo, que reconta o mesmo evento histórico a partir de pontos de vista conflitantes, e The King, que despe Henrique V do verso shakespeariano para uma leitura mais crua do poder.Cruzada (Kingdom of Heaven, 2005), dir. Ridley ScottO Nome da Rosa (The Name of the Rose, 1986), dir. Jean-Jacques AnnaudHenrique V (1944, Laurence Olivier)Em Busca do Cálice Sagrado (Monty Python, 1975)O Último Duelo (The Last Duel, 2021), dir. Ridley ScottThe King (2019), dir. David MichôdVikings (série, 2013), dir. Michael HirstRei Arthur (2004), dir. Antonie FuquaAula 03 (24/09): Idade Moderna, Renascimento, colonização e Revolução FrancesaA Idade Moderna reúne alguns dos momentos mais revisitados pelo cinema histórico, do Renascimento à Revolução Francesa, passando pela colonização da América. Abrimos com o Renascimento e a relação entre arte e poder, seguimos para a colonização latino-americana, capítulo que o cinema europeu demorou a tratar de forma crítica, algo que muda a partir dos anos 1970 com o Novo Cinema Alemão de Werner Herzog, e encerramos no ciclo revolucionário francês e napoleônico, comparando a leitura política de Andrzej Wajda sobre o confronto entre Danton e Robespierre com a reconstrução recente que Ridley Scott faz de Napoleão.A Agonia e o Êxtase (The Agony and the Ecstasy, 1965), dir. Carol ReedTambém a Chuva (También la Lluvia, 2010), dir. Icíar BollaínNapoleão (Napoleon, 2023), dir. Ridley ScottDanton, o Processo da Revolução (Danton, 1983), dir. Andrzej WajdaMaria Antonieta (2006), dir. Sofia CoppolaElizabeth (1998), Shekhar KapurAula 04 (01/10): Cinema Contemporâneo, como a atualidade se compreende e se torna narrativa na história do tempo presenteSe as três primeiras aulas observam como o cinema reconstrói o passado, esta última investiga o momento presente, ou seja, como o cinema recorre a estruturas históricas e especulativas para entender o próprio presente. Não Olhe Para Cima usa a estrutura do filme-catástrofe para falar de negacionismo climático. Parasita usa a casa como alegoria de desigualdade social, e Corra usa o gênero de terror para expor o racismo estrutural americano. Mountainhead fecha o curso olhando para o poder concentrado nas mãos de magnatas de tecnologia, radicalizando um debate que compõe todo o curso, sobre quem tem o poder de contar a história e a quem essa narrativa serve.Mountainhead (2025), dir. Jesse ArmstrongNão Olhe Para Cima (Don't Look Up, 2021), dir. Adam McKayParasita (Parasite, 2019), dir. Bong Joon-hoCorra! (Get Out, 2017), dir. Jordan PeeleBibliografiaBENJAMIN, Walter. Obras Escolhidas I: Magia e Técnica, Arte e Política. São Paulo: Brasiliense, 1994.FERRO, Marc. Cinema e História. Tradução de Flávia Nascimento. São Paulo: Paz e Terra, 1992.FINLEY, Moses I. O Mundo de Ulisses. Tradução de Armando Cerqueira. Lisboa: Editorial Presença, 1988.HOBSBAWM, Eric J. A Era das Revoluções: Europa 1789-1848. Tradução de Maria Tereza Lopes Teixeira e Marcos Penchel. São Paulo: Paz e Terra.ROSENSTONE, Robert A. A História nos Filmes, os Filmes na História. Tradução de Marcello Lino. São Paulo: Paz e Terra, 2010._________________________________________________________Caso tenha dúvidas, entre em contato pelo e-mail cursolivre.literatura@gmail.com






