
19 de set · Cursos e Palestras
A Lógica dos Escândalos: Imprensa, Elites e Arena Pública no Espírito Santo (de Moniz Freire a José
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A Lógica dos Escândalos: Imprensa, Elites Dirigentes e Arena Pública no Espírito Santo (de Moniz Freire a José Ignácio e seus desdobramentos sociais, institucionais e políticos)Resumo / ApresentaçãoA presente conferência propõe uma incursão analítica, e não factual, pelos meandros da vida pública capixaba entre os anos de 1892 e 2002. Ao tomar como fios condutores os episódios emblemáticos que emergiram no intervelo entre os governos das figuras de Moniz Freire e de José Ignácio Ferreira, a exposição recusa deliberadamente o tom do anedotário histórico, da crônica episódica ou do repositório de curiosidades. Não se trata, pois, de revisitar o passado em busca do escracho, da fofoca bem temperada ou da profecia retrospectiva; trata-se, antes, de submeter a arena política espírito-santense a um exercício crítico de inteligibilidade imanente, contextual e tranversal.O eixo central da reflexão reside na demonstração de que imprensa e segmentos das elites dirigentes — longe de atuarem como esferas estanques ou antagônicas — estabelecem uma interdependência funcional e negociada. Ambos os polos, em regime de cooperação conflituosa, articulam interesses econômicos, políticos e sociais estratégicos, valendo-se da construção da imagem pública e da gestão da visibilidade como recursos de poder efetivos. Nesse jogo de forças, a performance midiática e a ocupação da cena pública convertem-se em capitais simbólicos mobilizáveis nas lutas políticas, nos projetos de hegemonia e na reprodução das hierarquias sociais.Metodologicamente, a análise opera na chave da transescalaridade: os acontecimentos locais são cotejados com as dinâmicas regionais, nacionais e mesmo globais que os condicionam e que por eles são realimentados, sem que se perca de vista a dimensão hierarquizada e articulada que estrutura o campo de poder capixaba. A emergência da arena pública — compreendida como espaço de visibilidade, discutibilidade e disputa narrativa — é examinada à luz de sua interface com a esfera pública ampliada, atentando-se para os mecanismos de exclusão, inclusão seletiva e legitimação que atravessam a formação histórica do Espírito Santo.Por fim, ao estender o olhar para os desdobramentos sociais, institucionais e políticos desses processos, a palestra não ambiciona encerrar o passado em uma síntese definitiva, mas sim abrir janelas interpretativas para que o presente seja interrogado com maior densidade crítica. Espera-se, assim, contribuir para a renovação do olhar historiográfico sobre as elites capixabas, afastando-se das leituras moralizantes ou personalistas para abraçar a complexidade das estruturas, das mediações e dos interesses que, entre 1892 e 2002, forjaram — e ainda tensionam — a cena pública no Espírito Santo.







