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21 de out · Cultura

AULÃO Quem cabe na psicanálise - Aulão: Corpo, identidades e identitarismo na clínica

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Sobre o evento

Quais corpos “cabem” na psicanálise? Corpos, identidades e identitarismo na clínica. A psicanálise nasceu quando um corpo não coube. O corpo histérico não obedecia ao saber médico, e foi essa recusa que obrigou a técnica a se inventar. Desde então, a teoria avançou toda vez que alguém chegou sem caber no que havia, e travou toda vez que o analista tentou fazer caber. Esse encontro é sobre o que acontece com a clínica quando levamos isso a sério. Vamos percorrer três caminhos. O primeiro é histórico. Sobre quais corpos as primeiras teorias foram construídas, e o que elas carregam desse endereço. A técnica psicanalítica não foi deduzida em gabinete, foi arrancada por pacientes que ensinaram o analista a escutar. O segundo é sobre o rótulo que chega antes do sujeito. O social produz sofrimento, e a posição social de quem chega importa. O problema aparece quando essa posição vira antecipação, e a escuta é substituída por um diagnóstico prévio. Vamos olhar também para o fantasma do identitarismo, que se tornou um modo de recusar o diálogo com saberes que desestabilizam privilégios. O terceiro é sobre quem escuta. Em Freud, não há psique sem carne. Em Lacan, a imagem do corpo vem de fora, e o espelho da cultura decide quais corpos são lidos como norma. Em Winnicott, o analista existe como ambiente, e ambiente não se credencia, se oferece e é testado. Se o lugar do analista não é garantido por um corpo, por que certos corpos precisam justificar sua presença nele? Quem vem pra esse encontro: Bárbara Macedo é psicanalista, artista e pesquisadora.Atua na clínica e na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS/SUS) de Belo Horizonte. Tem interesse nas interseções entre arte e saúde mental e as travestilidades e a psicanálise.

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