BRUMA ou Tragédia Espiritual

O Barongapresenta.BRUMAouTragédia Espiritual.direção e design de bonecosLEO THIM.MúsicaPAULO JR / ENZO PETRUCCI / PAMELA MALVESTITI.comANDRESSA AYCHA e ALEXANDRE ROMANELLI.MáscarasRODRIGO SÀNGÓDÁRESINOPSEEntre a memória e o esquecimento, dois espíritos florestais atravessam mitos antigos enquanto uma floresta desaparece.A floresta que se apagaEm Bruma ou Tragédia Espiritual, dois espíritos florestais divagam sobre histórias e experiências de devastação enquanto, dia após dia, uma madeireira avança sobre a floresta onde vivem. Mirra, a mais velha, insiste em escutar as últimas notas musicais de um loureiro definhando. Ingrid, a mais jovem, questiona a destruição que se aproxima e observando a chegada de densas brumas no horizonte, procura compreender o desaparecimento da mata e das narrativas. Entre lembranças e aparições, as duas recontam a Orestéia, que surge através de bonecos de sombra, alegorias, máscaras e narração, fazendo a tragédia violenta da família dos Atridas emergir como uma memória que insiste em sobreviver perante a devastação. A bruma que toma conta da floresta é um fenômeno concreto e metafórico: encobre o que está diante dos olhos, mas também representa aquilo que lentamente deixa de ser lembrado. Na bruma, memória e esquecimento tornam-se indistinguíveis. À medida que a floresta desaparece, desaparecem também os lugares, os seres e as histórias que nela habitavam.Memória e cosmovisão florestalBruma nasce de uma pesquisa continuada de Leo Thim sobre uma possível cosmovisão florestal, presente em trabalhos anteriores como O Touro – História de Fantasma no Brasil Profundo (apresentou no festival Festa Matão; Cena Bárbara; FENTEPIRA 2024; Satyrianas 2024); o Média-Metragem A Mula – Uma Elegia de Horror e Rei Folha, este último inspirado em Rei Lear, de William Shakespeare, em que Lear é uma árvore transformada em humano depois de dividir sua floresta entre as filhas. Nessas obras, o fantástico não aparece como fuga da realidade, mas como uma maneira de torná-la mais visível. Árvores, fantasmas, animais, máscaras e seres impossíveis passam a ocupar o mesmo espaço que os corpos humanos, criando narrativas nas quais questões ecológicas, míticas e políticas encontram formas fabulares.Em Bruma, a floresta é, ao mesmo tempo, cenário, personagem e arquivo. Sua destruição não significa apenas a perda de um território, mas também o desaparecimento de uma memória. As narrativas dos Atridas são convocadas como histórias que atravessaram séculos, enquanto a peça pergunta o que acontece com as histórias quando desaparecem os mundos capazes de guardá-las.Corpos sem formaOs dois espíritos, Mirra e Ingrid são construídos a partir de uma operação de despersonalização. Inspirados no koken/kurogo do teatro japonês, os intérpretes vestem-se inteiramente de preto e têm os rostos cobertos iluminando-se apenas com duas lâmpadas halógenas. Sem uma identidade visual individualizada, seus corpos deixam de funcionar como personagens naturalistas e passam a operar como presenças, manipuladores e mediadores das imagens, das personagens e do texto que surgem em cena. O corpo dos atores abre espaço para os objetos: máscaras, bonecos de sombra, instrumentos e outros elementos cênicos. Todos estes assumem diferentes funções e podem transformar-se continuamente diante do espectador.A proposta dialoga com as poéticas do teatro japonês e indonésio e com a pesquisa de Thim sobre a obra da encenadora norte-americana Julie Taymor, cuja trajetória é uma referência importante para sua investigação sobre as relações entre ator, objeto, máscara, mito e imagem. Em Bruma, essas referências não aparecem como reprodução de formas tradicionais, mas como pontos de partida para uma investigação sobre como diferentes culturas teatrais podem encontrar-se na construção de uma linguagem cênica própria e na proposição dramatúrgica.Música ao vivoA música é executada ao vivo e participa diretamente da construção da atmosfera e da narrativa do espetáculo. Os instrumentos musicais de sopro, corda e percursão são também os instrumentos que dão voz à floresta; a lira é também a voz das plantas; a flauta traz os espíritos para a cena, a tabla indiana cria o ambiente de sedução, e o tambor surdo junto das outras percussões compõem uma paisagem sonora que acompanha a transformação da floresta e das narrativas evocadas pelas personagens, na constituição não de uma trilha sonora, mas um movimento incidental na cena. A música, assim, não apenas acompanha a cena mas um espaço de pesquisa das imagens acústicas e fantásticas.Bruma – Um conto florestal estreou em janeiro de 2026, no Centro Cultural de Araras.

Datas e ingressos

08 de nov · 19:00 às 20:30Ver preçosNa Sympla

Local

Centro Cultural "Leny de Oliveira Zurita" de ArarasAraras · SPComo chegar

Informações

Data
domingo, 8 de novembro às 19:00
Horário
19:00 às 20:30
Vendido por
Sympla
Estilo
Teatro
Cidade
Araras, SP

BRUMA ou Tragédia Espiritual

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