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17 de out · Cursos e Palestras

CLÍNICA FEMINISTA: Manejo clínico das violências de gênero

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Sobre o evento

CLÍNICA FEMINISTA: Manejo clínico das violências de gêneroEste curso foi elaborado para qualificar profissionais a escutar e manejar clinicamente as violências de gênero, articulando as dimensões psíquicas, sociais, raciais, políticas e territoriais que atravessam essas experiências. A proposta parte de uma perspectiva feminista, interseccional e decolonial, comprometida com os direitos humanos e com uma prática clínica ética, situada e sensível às singularidades de cada sujeito.Mais do que compreender a violência, trata-se de aprender a escutá-la, acolher seus efeitos e construir possibilidades de manejo clínico que não culpabilizam, individualizam ou invisibilizam as relações de poder que a produzem e sustentam.Ementa geralEstudo das violências de gênero como fenômeno histórico, social, político e psíquico, considerando suas relações com as estruturas patriarcais, raciais, coloniais e econômicas. Discussão das repercussões subjetivas e sociais da violência e de seus efeitos sobre os corpos, vínculos, autonomia e processos de subjetivação. Abordagem do manejo clínico a partir da Psicologia Social, da Psicanálise, das perspectivas feministas, interseccionais e decoloniais, contemplando escuta, acolhimento, identificação de situações de violência, construção de estratégias de cuidado e articulação com a rede de proteção. Ênfase nas especificidades das violências que atravessam mulheres negras, indígenas, LGBTQIAPN+ e outros sujeitos marcados por desigualdades sociais, raciais, territoriais e de gênero.INGRESSOSProfissionalR$ 360Formação para quem deseja qualificar a escuta e o manejo clínico das violências de gênero.EstudanteR$ 180Formação para estudantes que desejam construir fundamentos para uma escuta clínica crítica e ética.FORMATOAulas ao vivo via Google MeetGravações liberadas durante 30 diasAULA 1 Data: 17/10/2026 (Sábado)Horário: 14h às 17hViolência de gênero: compreender para manejarEmentaConceituação e caracterização das violências de gênero em suas dimensões estrutural, institucional, relacional e subjetiva. Relações entre gênero, poder, patriarcado e produção social do sofrimento. Repercussões psíquicas da violência e seus efeitos sobre autoestima, autonomia, vínculos, desejo e processos de subjetivação. Contribuições da Psicologia Social e da Psicanálise para a compreensão da violência. Fundamentos para o manejo clínico, incluindo escuta, acolhimento, responsabilização sem culpabilização e identificação de situações de risco.ObjetivosCompreender a violência de gênero como fenômeno social e psíquico. Identificar diferentes formas de violência e suas manifestações na clínica. Analisar os efeitos subjetivos da violência sobre mulheres e outros sujeitos vulnerabilizados. Discutir contribuições da Psicologia Social e da Psicanálise para a compreensão da violência. Desenvolver fundamentos para uma escuta clínica ética, não culpabilizante e comprometida com a proteção. Refletir sobre os limites da atuação clínica e a importância da articulação com a rede de proteção. REFERÊNCIAS CENTRAISBUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003FREUD, Sigmund. O problema econômico do masoquismo. In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1976 [1924]. v. 19.ROSA, Miriam Debieux. Sofrimento sociopolítico, silenciamento e a clínica psicanalítica. Psicologia: Ciência e Profissão, v. 42, p. e234674, 2022.SAFFIOTI, Heleieth I. B. Gênero, patriarcado, violência. São Paulo: Expressão Popular, 2015.REFERÊNCIAS COMPLEMENTARES:LUGONES, María. Rumo a um feminismo descolonial. Estudos Feministas, Florianópolis, v. 22, n. 3, p. 935-952, set./dez. 2014.SEGATO, Rita Laura. Las estructuras elementales de la violencia: ensayos sobre género entre la antropología, el psicoanálisis y los derechos humanos. Buenos Aires: Prometeo Libros, 2003.AULA 2 Data: 24/10/2026 (Sábado)Horário: 14h às 17h Violência de gênero e interseccionalidadesEmentaAnálise das violências de gênero a partir da perspectiva interseccional, considerando as articulações entre gênero, raça, classe, sexualidade, território, geração e outros marcadores sociais. Discussão sobre racismo, colonialidade e produção desigual da vulnerabilidade e do sofrimento. Especificidades das experiências de mulheres negras, indígenas e LGBTQIAPN+. Implicações dessas interseccionalidades para a escuta e o manejo clínico. Reflexão crítica sobre universalizações da categoria “mulher” e sobre práticas clínicas atravessadas pela branquitude, cisheteronormatividade e colonialidade.ObjetivosCompreender a interseccionalidade como ferramenta teórica e clínico-política. Identificar como raça, gênero, classe, sexualidade e território atravessam as experiências de violência. Analisar a produção social e histórica das desigualdades e do sofrimento. Problematizar perspectivas universalizantes sobre as experiências das mulheres. Desenvolver uma escuta clínica racializada, interseccional e decolonial. Reconhecer os impactos do racismo e da colonialidade nos processos de subjetivação e nas relações de cuidado. REFERÊNCIAS CENTRAIS:AKOTIRENE, Carla. Interseccionalidade. São Paulo: Sueli Carneiro; Jandaíra, 2019. (Coleção Feminismos Plurais). BUTLER, Judith. Vida precária: os poderes do luto e da violência. Belo Horizonte: Autêntica, 2019.MORAES, Camila de Freitas. Descolonizando a “Cidade Armário”: as filhas da Chiquita e o direito de existir. 2024. Tese (Doutorado em Política Social e Direitos Humanos) – Universidade Católica de Pelotas, Pelotas, 2024. Disponível em: https://pos.ucpel.edu.br/ppgps/wp-content/uploads/sites/5/2024/08/Tese-Camila-de-Freitas-Moraes.pdfNACIMENTO, Letícia Carolina Pereira do. Transfeminismo. São Paulo: Jandaíra, 2021. (Coleção Feminismos Plurais).REFERÊNCIAS COMPLEMENTARES:BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003FREUD, Sigmund. O problema econômico do masoquismo. In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1976 [1924]. v. 19.GONZALEZ, Lélia. Racismo e sexismo na cultura brasileira. In: Primavera para as rosas e os espinhos: Lélia Gonzalez na primeira pessoa. Diadema: Editorial Ex Libris, 2018. p. 67-84. HOOKS, Bell. Teoria feminista: da margem ao centro. São Paulo: Perspectiva, 2019.AULA 3Data: 07/11/2026 (Sábado)Horário: 14h às17hViolência vicária: quando a violência atravessa os vínculosEmentaEstudo da violência vicária como modalidade de violência de gênero na qual pessoas, vínculos ou relações afetivamente significativas são instrumentalizados para atingir, controlar, punir ou produzir sofrimento na mulher. Discussão das relações entre violência vicária, violência psicológica, violência familiar, violência contra filhos e demais pessoas vinculadas à vítima. Repercussões psíquicas relacionadas à culpa, medo, perda, impotência, ameaça e luto. Contribuições da Psicanálise, Psicologia Social e perspectivas feministas e decoloniais para a compreensão do fenômeno. Manejo clínico, avaliação de risco, acolhimento, proteção e articulação intersetorial.ObjetivosCompreender o conceito e as manifestações da violência vicária. Identificar estratégias de controle e manutenção do poder presentes nessa modalidade de violência. Analisar os impactos psíquicos da violência vicária sobre mulheres, filhos e demais vínculos afetivos. Compreender culpa, medo, ambivalência, sofrimento e luto como elementos possíveis da experiência clínica. Desenvolver estratégias de manejo clínico diante de situações de violência vicária. Discutir avaliação de risco, proteção e articulação com a rede de enfrentamento às violências. Evitar práticas clínicas que individualizem ou patologizem respostas produzidas em contextos de violência. REFERÊNCIAS CENTRAIS:LACERDA, D. C.; OLIVEIRA, A. C. G. A. Violência vicária e a vulnerabilidade psicossocial de crianças com Transtorno do Espectro Autista: desafios à proteção integral. Revista Tópicos, Rio de Janeiro, v. 4, n. 35, p. 1–27, 2026. Disponível em: https://revistatopicos.com.br/artigos/violencia-vicaria-e-a-vulnerabilidade-psicossocial-de-criancas-com-transtorno-do-espectro-autista-desafios-a-protecao-integral.OYĚWÙMÍ, Oyèrónkẹ́. A invenção das mulheres: construindo um sentido africano para os discursos ocidentais de gênero. Tradução de Wanderson Flor do Nascimento. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2021.SAFFIOTI, Heleieth I. B. Gênero, patriarcado, violência. São Paulo: Expressão Popular, 2015.ZAMORA, Júlia Carvalho et al. Trauma vicário e secundário no trabalho com violência: revisão de escopo. Revista Psicologia Organizações e Trabalho, Brasília, v. 22, n. 2, p. 2049–..., abr./jun. 2022. Disponível em: https://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1984-66572022000200010.REFERÊNCIAS COMPLEMENTARES:LUGONES, María. Colonialidade e gênero: rumo a um feminismo descolonial. In: HOLLANDA, Heloisa Buarque de (Org.). Pensamento feminista: toadas e descoloniais. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2019. p. 55-89.SEGATO, Rita Laura. Las estructuras elementales de la violencia: ensayos sobre género entre la antropología, el psicoanálisis y los derechos humanos. Buenos Aires: Prometeo Libros, 2003.

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