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13 de out · Cultura

curso online | arte, imigração e deslocamentos, com Marina Mazze Cerchiaro

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A compra acontece no site da Sympla. Com taxa, a partir de R$ 484,00.

Sobre o evento

Este curso propõe uma reflexão sobre as relações entre arte e mobilidade humana, tendo as migrações e os deslocamentos como eixo central de análise. A partir de uma perspectiva histórica e transnacional, examinaremos como a arte moderna brasileira se beneficiou de experiências de trânsito e migração ao longo do século XX. O percurso parte das abordagens teóricas mais recentes sobre artistas migrantes e chega ao debate contemporâneo sobre arte, deslocamento e crise ecológica. Passa por estudos de caso que iluminam algumas trajetórias ainda pouco exploradas pela historiografia da arte brasileira e também pelo acervo do MAM-SP. Buscamos pensar a mobilidade de pessoas, obras e ideias como um elemento social importante para a inovação formal.O curso destina-se a pesquisadores, professores, estudantes e interessados em história da arte, culturas visuais e estudos migratórios. Não é necessário conhecimento prévio especializado. As aulas combinam a apresentação de obras, a análise crítica e o debate, com ênfase nas perspectivas de gênero e nas trajetórias transnacionais que conectam o Brasil, a Europa e os Estados Unidos.Datas: 13, 20 e 27 de outubro, e 03 e 17 de novembro de 2026Terças-feirasHorário: das 19h às 21hDuração: 04 encontros Público: interessados em geralInvestimento: R$ 440,00 + taxas Curso onlineAo vivo, via plataforma de videoconferênciaAulas gravadas disponibilizadas apenas por tempo determinadoCurso contempla certificado no finalPara intérprete de Libras, solicitar pelo e-mail cursos@mam.org.br com antecedência de 7 dias úteis.ProgramaçãoAula 1 — Artistas migrantes no século XX: abordagens teóricasEsta aula apresenta o campo de estudos sobre artistas migrantes no século XX e discute as abordagens teóricas mais recentes que articulam mobilidade, gênero e produção artística. Tendo em vista que a historiografia da arte tradicional se baseia na ideia de nação, os deslocamentos e diálogos transnacionais trazem outras formas de narrar a história da arte. Tratando a migração como categoria analítica central, serão discutidos conceitos como diáspora, exílio, cosmopolitismo e redes transnacionais, além de questões metodológicas sobre como escrever histórias de artistas cujas trajetórias atravessam múltiplas geografias e culturas. Para ilustrar esses conceitos, serão mobilizados exemplos de artistas como Lasar Segall, lituano radicado no Brasil; Meret Oppenheim, alemã que viveu entre Berlim, Paris e Berna; e Wifredo Lam, cubano formado em Madri e Paris, cuja trajetória conecta o Caribe, a Europa e a África. A aula também aborda o silenciamento a que muitos desses sujeitos — especialmente as mulheres — foram submetidos e propõe modos mais complexos e plurais de reescrita da história da arte.Aula 2 — Modernistas brasileiros em Paris: o retorno à ordem e a questão da brasilidadeNeste encontro, examinamos os deslocamentos de artistas modernistas brasileiros para a Europa, especialmente para Paris, na década de 1920, situando esse movimento no contexto do chamado “retorno à ordem” que marcou a cena artística europeia no pós-Primeira Guerra Mundial. Artistas como Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Victor Brecheret, Celso Antônio e John Graz participaram de um ambiente em que as vanguardas do início do século davam lugar a uma revalorização da tradição figurativa, do classicismo e da síntese entre inovação formal e referências culturais locais. Com foco na pintura e escultura, a aula discute como esse contexto internacional impactou a elaboração de um projeto modernista especificamente brasileiro, no qual o debate sobre brasilidade emerge com força a partir de 1925, dando o tom de muitas das produções da década de 1930.Aula 3 — Os trânsitos de artistas brasileiros para os Estados Unidos e a Europa (1930–1960)Esta aula investiga os trânsitos de artistas brasileiros para os Estados Unidos e a Europa nas décadas de 1930 a 1960, com especial atenção às trajetórias de Maria Martins, Mary Vieira e Lygia Clark. Maria Martins, escultora e esposa de um diplomata, transitou entre o Rio de Janeiro, Paris, Washington e Nova York. Nesta última cidade integrou-se ao círculo surrealista e estabeleceu vínculos com Marcel Duchamp, Max Ernst e André Breton. Mary Vieira, por sua vez, emigrou definitivamente para a Europa, residindo na Suíça e na Itália. Desenvolveu uma obra construtivista e cinética com participação do observador. Lygia Clark, após anos de formação no Brasil, viveu em Paris entre 1968 e 1976, período em que desenvolveu suas proposições terapêuticas e relacionais. Por meio dessas três figuras, examinaremos como o deslocamento impactou suas trajetórias, redes de sociabilidade, reconhecimento artístico e elaboração de propostas estéticas inovadoras.Aula 4 — Do Leste Europeu a São Paulo: mulheres, migração e arte modernaEsta aula trata dos fluxos migratórios do Leste Europeu para o Brasil ao longo do século XX, com foco na contribuição de mulheres migrantes para a construção da cena artística paulistana — contribuição que permaneceu, em grande medida, invisibilizada pela historiografia da arte brasileira. A partir de pesquisa original sobre as escultoras polonesas, Pola Rezende e Felícia Leirner, e a búlgara Liuba Wolf, examinamos como elas construíram carreiras escultóricas no Brasil a partir da década de 1940, enfocando suas produções, estabelecimento de redes internacionais e contribuições para a cena artística paulista. Por fim, questionamos as razões que levaram ao silenciamento de suas obras e trajetórias.Aula 5 — Arte, migrações e crise ecológica: um debate contemporâneoEste último encontro articula o percurso histórico do curso com o debate contemporâneo sobre deslocamentos forçados e crise ecológica. Se as aulas anteriores examinaram como as mobilidades moldaram a produção artística brasileira ao longo do século XX, esta aula propõe ampliar a reflexão para incluir as migrações forçadas provocadas por catástrofes ambientais, crise econômica e destruição de ecossistemas — fenômenos que afetam desproporcionalmente as populações do Sul Global —, a partir de artistas presentes no acervo do MAM São Paulo. A aula se organiza em dois eixos complementares. O primeiro articula a Amazônia, memória e crise ecológica a partir de dois artistas cujas práticas situam o corpo e o território como campos de resistência. De um lado, refletiremos sobre Claudia Andujar — fotógrafa suíço-húngara de origem judaica que deixou a Hungria em 1944 devido à perseguição aos judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Em 1955, se estabeleceu no Brasil e dedicou boa parte de seu trabalho a documentar o povo Yanomami e sua luta pela sobrevivência. De outro, trataremos de Uýra Sodoma, artista, biólogo e performer indígena de Manaus que incorpora a floresta amazônica para denunciar sua destruição. O segundo eixo examina as rotas migratórias nas Américas por meio da análise da produção de Paulo Nazareth, artista mineiro que documenta sua caminhada até os Estados Unidos, expondo as marcas do racismo, da fronteira e da mobilidade Sul-Norte; e da obra Brincos de Judi Werthein, artista argentina radicada em Nova York, que trata diretamente das políticas de controle e exclusão que regulam quem pode se mover e em que condições. A aula também retoma questões levantadas ao longo do curso — sobre visibilidade, silenciamento e cânone — para pensar como a historiografia da arte pode ser repensada à luz dos desafios do presente. Quais assimetrias determinam quem pode se mover e quem é forçado a se deslocar? De que modos a arte como ferramenta crítica de reflexão e construção de mundos pode ser refúgio diante das crises migratórias do passado e do presente?Sobre a professoraMarina Mazze Cerchiaro é historiadora da arte, pesquisadora e curadora. Doutora em Estética e História da Arte pelo Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC/USP), realizou pós-doutorado na mesma instituição com pesquisa sobre escultoras imigrantes do Leste Europeu no Brasil. Conduziu pesquisas em instituições como a École Normale Supérieure de Paris e a Université Paris X Nanterre, e atuou como pesquisadora no Centre de documentation do Musée Bourdelle, em Paris. Desenvolveu curadoria no Museu Felícia Leirner (Campos do Jordão) e integrou como júri o projeto de extensão Rede Arte Refúgio (UNICAMP), voltado para artistas migrantes em início de carreira. Ministrou cursos no Museu de Arte de São Paulo (MASP), no MAC/USP e no MAM-SP, com foco em mulheres artistas, modernismo brasileiro e escultura. É membro fundadora da Rede de Arquivos de Mulheres, dedicada à equidade de gênero no campo do patrimônio cultural. Publicou artigos em periódicos nacionais e internacionais e é autora do livro “Esculpindo para o Ministério: arte e política no Estado Novo” (BBM, 2022).Amigo MAM tem 20% de desconto. Faça parte!Estudantes, professores e aposentados têm 10% de descontoDúvidas:cursos@mam.org.brWhatsApp: 11 99774 3987

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