16 de set · Cultura
curso online | candaces das artes: o legado de artistas negras no brasil, com Renata Felinto
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Sobre o evento
Candaces das Artes é um curso de história e crítica das artes visuais orientado por um recorte central: a participação histórica de mulheres negras na construção de linguagens, repertórios e disputas institucionais no Brasil, com abertura para outras territorialidades afrodiaspóricas (África, Américas, circuitos transnacionais) e para deslocamentos entre regiões, cidades, sertões, litorais e “territórios de origem” como lugares de saber.O termo “Candaces” (kandakes/candaces) é assumido como lastro histórico e como operador conceitual: remete às soberanas do antigo Reino de Kush (Núbia), associadas a Meroë, em território hoje relacionado ao Sudão, e a um modelo de poder feminino que inclui regência, centralidade da linhagem matrilinear e a figura da “mulher madura” como autoridade política acumulada (World History).O percurso do curso acompanha experimentos que partem da organicidade (saberes de manualidade, cotidiano e criação não escolarizada), atravessam o crivo acadêmico sem desprezar repertórios próprios dos territórios de origem e chegam à contemporaneidade e às instituições (museus, universidades, acervos e curadoria) como campo de disputa narrativa. “Mulheridade” e “racialidade” são trabalhadas no plural, como categorias situadas e não homogêneas, acolhendo a diversidade de experiências de gênero, de pertencimentos e de formações diaspóricas (inclusive tensões entre classificação social, autodefinição e leitura institucional).Datas: 16, 21, 23, 28 e 30 de setembro de 2026Segundas e quartas-feirasHorário: das 19h às 21hDuração: 05 encontros Público: interessados em geralInvestimento: R$ 400,00 + taxas Curso onlineAo vivo, via plataforma de videoconferênciaAulas gravadas disponibilizadas apenas por tempo determinadoCurso contempla certificado no finalPara intérprete de Libras, solicitar pelo e-mail cursos@mam.org.br com antecedência de 7 dias úteis.ProgramaçãoAula 1 – Candaces: localização histórica, soberanias e autoria difusaConceito de Candaces (kandakes/candaces) e sua localização para o curso: onde (Núbia, Reino de Kush/Meroë), quando (mundo antigo), e por quê (um arquivo histórico de soberania negra feminina). Dimensões político-simbólicas do termo: “princesas herdeiras” (linhagem matrilinear, preparo para liderança), e o princípio de legitimidade em que a matriz que “gera” a soberania (linhagem) estrutura o poder. Candaces como “mulheres maduras”: maturidade, sabedoria e poder acumulado, como autoridade política e como chave conceitual para ler a permanência, a estratégia e a condução.Candaces como rainhas-mães e governantes autônomas: não apenas consortes, mas também regentes e, em certos casos, figuras com comando e estratégia (inclusive associadas a conflitos e negociação política). Por que “Candaces” no plural (método): soberania simbólica, condução, permanência e contra-história; título como modo de olhar.Autoria coletiva e difusa: o que a história da arte chama de “artesanato”, “popular”, “doméstico” e “decorativo”, e os efeitos dessas categorias.Manualidades como arquivo: costura, bordado, trançado, culinária, ornamento, pintura mural, grafismos, objetos, ritos de cuidado e invenção como tecnologias de memória e de mundo.“Jardins de nossas mães” como imagem de transmissão (legado sem monumento): estética do cotidiano como linguagem e continuidade.Aula 2 – As orgânicas: criação enraizada no cotidiano, sem hierarquizar saberesCandaces-orgânicas (adequação do conceito ao encontro): potência de criação que brota do chão social, do trabalho, do rito, da casa, da rua e da matéria, sem depender da chancela acadêmica para ser linguagem.Candaces como “mulheres maduras” (transposição conceitual): repertório acumulado e inteligência material como forma de poder, continuidade e invenção, articulando memória familiar, comunidade e técnica.Educação do olhar fora da escola: repertórios populares, trabalho, religiosidades, sociabilidades, ornamentação; formação estética como experiência vivida e territorial.Materialidade como pensamento: pintura narrativa, figuração, barro/escultura, têxtil, assemblage; o gesto como escrita histórica.Regimes de classificação e hierarquias técnicas (incluem o papel de Lélia Coelho Frota): “naïf”, “popular”, “outsider”, “arte do povo” e os efeitos de confinamento ou de potência.Circulação e legitimação: casa/território/feira/coleção/museu/mídia; o que muda quando o sistema “descobre” e reembala a obra.Artistas centrais do encontro: Raquel Trindade de Souza; Maria Auxiliadora da Silva; Madalena dos Santos Reinbolt.Artistas organizadoras (para articular método/ponte e discutir reposicionamentos): Sonia Gomes; Lucia Laguna; Yedamaria.Aula 3 – As conselheiras: “parentas” de soberanas, linhagens não consanguíneas e o crivo acadêmicoAdequação da noção ao encontro: conselheiras como “parentas” de soberanas, entendidas como parentesco de linhagem ancestral, conceitual e poética (não consanguíneo), produzido por alianças, transmissão, método e ética.Academia e sistema da arte como filtros: o que se aprende, o que se apaga, o que se negocia; acesso, permanência e custo institucional (sem desprezar os saberes dos territórios de origem).Linguagens e políticas da forma: desenho, gravura, pintura, instalação, têxtil, fotografia, performance e arquivo como estratégias de reescrita histórica.Racismo institucional e “lugar” da artista negra: legitimação, silêncio, exotização, tokenismo; a obra como contranarrativa e método.Referência metodológica: incorporar a tese de Renata Bittencourt como suporte historiográfico para pensar protocolos de consagração, apagamentos e narrativas institucionais.Artistas centrais do encontro: Lidia Lisboa; Rosana Paulino; Marga Ledora; Cecília Félix Calaça; Maria Lídia Magliani.Aula 4 – Princesas herdeiras: matrilinearidade, contra-arquivo e reexistências contemporâneasPrincesas herdeiras (imagem operacional para o encontro): mulheres de linhagem matrilinear, preparadas desde cedo para assumir a liderança; legitimidade por meio da transmissão e do preparo (linhagem histórica/simbólica).Obra como contra-arquivo: reescrita, recomposição, montagem, fabulação, documento e performance do passado.Corpo, território e comunidade: cuidado, intimidade, pedagogias negras, dissidências e redes de criação; mulheridades e racialidades plurais como chave de leitura (sem reduzir a “identidade” a um tema).Circulação contemporânea: editais, residências, coletivos, plataformas; inserção sem assimilação e permanência.Curadoria como coautoria: como apresentar sem reduzir a obra à biografia nem confinar à exotização.Artistas centrais do encontro: Maria Macedo; Eliana Amorim; Sou Pixo; Soberana Ziza; Lubi Prates; Gabriella Marinho; Keyla Sankofa; Rosa Luz.Aula 5 – Curadorias negras de mulheres: reconquista da voz e novas formas de contarHistória da arte pouco reverenciada: como instituições hegemônicas produzem cânone, ausência e esquecimento (acervo, parede, legenda, programa público).Curadoria como tecnologia de reconquista: seleção, montagem, aquisição, pesquisa, educação e escrita curatorial como “formas de contar”.Curadoras negras em instituições e circuitos: agendas, vocabulários, recortes e ética de exposição (não capturar, não exotizar, não reduzir).Eixos que reforçam as mulheridades negras ao longo da história: correção de apagamentos; cultura material e arquivo; corpo e memória; territorialidades e diásporas; pedagogias públicas; redes e coletivos.Curadoras centrais do encontro: Diane Lima; Amanda Carneiro; Lorraine Mendes; Vanicléia Silva Santos; Thayná Trindade.Sobre a professoraRenata Felinto. São Paulo, 1978 / Vive no Crato. Mulher afro-diaspórica, mãe de Benedita Nzinga e Francisco Madiba. Artista visual, pesquisadora e professora. Bacharel, mestra e doutora em Artes Visuais (IA/UNESP) e especialista em Curadoria e Educação em Museus de Arte (MAC/USP). Em 2023, concluiu estágio pós-doutoral em Sociologia da Arte e foi Artist-in-Residence (Spring) no Center for Africana Studies / Dept. of Sociology, Penn Arts & Sciences, University of Pennsylvania.Professora Adjunta da URCA, atua na Licenciatura e atuou no Mestrado Profissional em Artes e lidera o grupo de pesquisa NZINGA (CNPq). Foi coordenadora do Núcleo de Educação do Museu Afro Brasil e do Curso de Licenciatura (e as gestões).Curadora artística e do educativo da 15ª Bienal Naïfs do Brasil — Prêmio Miguel Arcanjo de Cultura (2021). Atuou como curadora adjunta no Instituto Oficina de Cerâmica Francisco Brennand, integrou a ABCA (2021–2024) e o Comitê de Indicação do Prêmio PIPA (2021, 2023).Exposições individuais: Miss Read Berlin Art Book Fair (HKW, 2022), Performar a Vida (SENAC Scipião, 2021) e As que me habitam (Programa de Exposições CCSP, 2019).Coletivas: Dos Brasis (SESC Belenzinho/SP e Quitandinha/RJ, 2023–2024), Encruzilhadas da Arte Afro-Brasileira (CCBB SP/MG, 2023–2024), Empowerment (Kunstmuseum Wolfsburg, 2022), Coleção MAR + Enciclopédia Negra (MAR, 2022), Beethoven Moves (Kunsthistorisches Museum, 2020), 12ª Bienal do Mercosul (2020) e Histórias Afro-Atlânticas (Instituto Tomie Ohtake/MASP, 2018).Em 2025, participa de Ladino Americanas (SESC Nova Iguaçu, RJ), Outras Paisagens (Museu Nacional da República, DF) e Trançar cipós de tempo para erguer o agora (Centro Cultural Banco do Nordeste, CE).Prêmios: PIPA (2020), Select (2020) e 25º Salão Anapolino (2020).Amigo MAM tem 20% de desconto. Faça parte!Estudantes, professores e aposentados têm 10% de descontoDúvidas:cursos@mam.org.brWhatsApp: 11 99774 3987







