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05 de nov · Teatro

Dario Fo, Mistero Buffo. Douglas Kodi em cena, direção de Luca Comastri

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Sobre o evento

A força de Mistero Buffo continua ligada a uma escolha muito precisa: entregar quase tudo ao ator. Dario Fo reduz o aparato de cena e concentra a narrativa na capacidade do intérprete de mudar de voz, fazer surgir personagens pelo gesto e alterar, a cada momento, a relação com o público. É justamente esse mecanismo que orienta a nova montagem dirigida por Luca Comastri e interpretada por Douglas Kodi.Criado a partir de 1969, Mistero Buffo retoma materiais da cultura popular e da tradição dos jograis para reescrever episódios sacros a partir de um ponto de vista terreno, cômico e muitas vezes político. Quando recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, em 1997, Fo teve reconhecida também essa capacidade de recuperar a tradição dos giullari para confrontar o poder e devolver voz a quem costuma permanecer à margem.Nesta nova versão, o repertório não é inteiramente fixo. A cada apresentação, cinco monólogos são escolhidos entre seis possibilidades, entre eles O Nascimento do Bufão, A Fome do Zanni e Maria aos Pés da Cruz. Há, portanto, uma margem de variação que depende também da relação estabelecida com o público.A escolha faz sentido dentro da própria lógica da obra. A produção entende a tradição de Fo como uma técnica ainda disponível, capaz de passar por outros corpos e por outra língua sem perder sua vitalidade. Kodi tem formação específica em Commedia dell’Arte e desenvolve há anos uma pesquisa acadêmica e cênica sobre a relação entre corpo e canovaccio. Comastri, à frente da Fraternal Compagnia, dedica seu trabalho ao teatro físico, à máscara e às formas contemporâneas de transmissão das técnicas da Commedia.A coprodução entre o Teatro do Alvorecer e a Fraternal Compagnia aproxima, assim, dois percursos que já se encontravam diante de uma mesma questão teatral. Kodi assina também a adaptação e a tradução para o português. Com isso, o trabalho deixa de acontecer apenas sobre o repertório e passa a atingir a própria língua.No ano em que se celebra o centenário de nascimento de Fo, e enquanto a Fondazione Fo Rame coordena uma programação internacional dedicada à sua obra, Mistero Buffo retorna ao ponto em que sua escrita precisa provar que continua viva: o instante em que um ator entra em cena diante do público e tem de fazer tudo existir sozinho.

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