Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra | Memória Insubmissa
As inscrições serão realizadas de 21 a 28 de novembro ou esgotamento das vagas (o que acontecer primeiro). No dia de realização da atividade, serão disponibilizados ingressos presenciais na bilheteria, a fim de preencher eventuais vagas de quem se inscrever previamente e não comparecer.A história oficial tentou vender a ilusão de uma liberdade sem terra e sem reparação. O 20 de novembro, Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, não se apoia na benevolência do Estado, mas exige direitos e o combate. Alinhado a essa urgência, o Museu das Culturas Indígenas (MCI) realiza no sábado, 28 de novembro, um debate presencial focado nos territórios vivos de resistência e na memória que pulsa sob o concreto urbano.O encontro reúne Daniel Piuma Dode (Arqueologia da Quebrada), Alexandre Cardoso Santos - “O Tal do Alê” e Heloiza Vieira (Museu das Favelas), a Mobilização Saracura/Vai-Vai, Lucas Almeida (UNAMCA) e Paula Nishida, mediados por Leandro Karaí Mirim (MCI), para discutir a arqueologia não como a escavação de ruínas distantes, mas como ferramenta ativa de política, cultura e autoafirmação. A conversa joga luz sobre os lugares de memória do povo negro e das culturas indígenas, espaços que a especulação imobiliária tenta a todo custo soterrar - a exemplo da remoção deliberada de símbolos, corpos ou populações marginalizadas do espaço público central da capital paulista.Ao traçar a relação histórica entre as resistências negra e indígena, o debate mostra como a defesa física e simbólica desses lugares impulsiona a luta antirracista. A discussão evidencia a produção intelectual, artística e tecnológica dos povos originários e negros na disputa pelas narrativas da cidade, recusando a posição de meros objetos de estudo.Além da reflexão patrimonial, a atividade propõe caminhos práticos. Os convidados irão debater o surgimento de metodologias reais para conceber, produzir e viabilizar projetos audiovisuais a partir de uma perspectiva arqueológica. É uma recusa frontal ao olhar colonizador, utilizando a imagem e o território como instrumentos de denúncia e emancipação.Sobre o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência NegraEssa não é uma data de concessão passiva, mas um marco de denúncia e combate. A data relembra o assassinato de Zumbi, em 1695, último líder do Quilombo dos Palmares, para fincar a verdadeira pedra fundamental da resistência negra no Brasil. Ao se contrapor ao 13 de maio, que vendeu a ilusão de uma liberdade sem terra, sem direitos e sem reparação, o 20 de novembro rejeita a benevolência estatal e devolve o protagonismo a quem lutou pela própria emancipação. Instituído pela Lei nº 12.519/2011 e tornado feriado nacional em todo o país a partir do fim de 2023, a data convoca à reflexão contínua contra o racismo e à honra da memória daqueles que se recusaram a aceitar o cativeiro.Sobre Alexandre Cardoso Santos (“O Tal do Alê”)Cria da zona leste de São Paulo, é artista visual, educador e pesquisador. Graduado em Artes Visuais pelas Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), desenvolve desde 2023 uma investigação poético-visual que tensiona as relações entre símbolos de poder, precariedade, autoestima e as culturas negras marginalizadas, tomando o funk e o hip-hop como eixos de criação e linguagem. Com atuação na mediação cultural e em projetos educativos do Museu das Favelas (onde integra ações como a plataforma Favela Ocupa), acumula passagens pelo Itaú Cultural e pelo Museu da Imigração do Estado de São Paulo. Sua produção artística e pedagógica marca presença em espaços de destaque, incluindo o Programa de Exposições do Museu de Arte de Ribeirão Preto (MARP), a 31ª Mostra de Arte da Juventude no Sesc Ribeirão Preto, o Salão de Artes Plásticas de Praia Grande, a 35ª Bienal de São Paulo e oficinas no Instituto Tomie Ohtake.Sobre Daniel Piuma DodeGestor de projetos, supervisor de pós-produção e arqueólogo. Fundador do estúdio Post Frontier, sediado em Porto Alegre, construiu uma trajetória no mercado audiovisual com alcance nacional e internacional, assinando trabalhos para redes globais como BBC, Discovery Channel e MTV. Sua lista de créditos reúne mais de 40 longas-metragens e 20 séries de televisão, em parcerias com cineastas como Jorge Furtado, Ana Luíza Azevedo, Edson Celulari, Esmir Filho, Carlos Gerbase e Roberto Gervitz. Graduado em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), especialista em Gestão de Projetos pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e mestre em Arqueologia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), é doutorando no Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE-USP). Sua pesquisa estrutura o projeto “Arqueologia da Quebrada”, investigando o uso de linguagens audiovisuais de grande circulação como tática de divulgação científica e preservação patrimonial. O trabalho articula ciência, cinema periférico e insurgência territorial, propondo métodos para democratizar o conhecimento arqueológico e ampliar seu impacto na sociedade.Sobre Heloiza VieiraHistoriadora formada pela Universidade de São Paulo (USP), dedica sua trajetória aos campos da sociomuseologia, da salvaguarda de acervos e da educação pública. Sua pesquisa articula a preservação da memória e a catalogação documental à função social das instituições culturais na metrópole. É bolsista pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID/USP) e acumula colaborações acadêmicas e técnicas no Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE-USP), no Instituto de Física (IFUSP) e no Theatro Municipal de São Paulo. Sua atuação profissional tem como pilar o Núcleo de Educação do Museu das Favelas, no centro da capital paulista, instituição onde iniciou sua trajetória como jovem aprendiz. Heloiza alia a formação histórica rigorosa à prática educativa de base, afirmando a gestão de acervos e a mediação cultural como ferramentas diretas de cidadania, pertencimento e direito à memória.Sobre Lucas AlmeidaPesquisador e ativista. Técnico em Museologia pela Escola Técnica (ETEC) Parque da Juventude e graduando na área pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), atua no combate ao apagamento das identidades negras e indígenas no centro urbano paulistano. É coordenador-geral e diretor da Associação União dos Amigos Capela dos Aflitos (UNAMCA) e atua na gestão do Museu dos Aflitos, liderando a salvaguarda e a visibilidade do sítio arqueológico do antigo Cemitério dos Aflitos, no bairro da Liberdade. Integra a Rede de Memória e Museologia Social de São Paulo, é sócio do Instituto Tebas de Educação e Cultura e atua como conselheiro fiscal no Instituto do Direito do Patrimônio Cultural (IDPC). Suas pesquisas conectam museologia social, educação e o direito fundamental à verdade sobre o tráfico transatlântico e a escravidão no Brasil, utilizando a preservação territorial como ferramenta ativa de luta antirracista e formação comunitária.Sobre Paula NishidaÉ doutora e mestra em Arqueologia, pelo Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE-USP), e possui graduação em História pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Tem experiência na área de Arqueologia, com ênfase em Arqueologia Pré-histórica, tendo atuado principalmente nos seguintes temas: sambaqui, zooarqueologia, amostras padronizadas, pescadores-coletores, antropologia marítima.Sobre Karaí Mirim (mediação)Indígena do povo Guarani, mestre em Psicologia pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (IP-USP) e supervisor de comunicação do Museu das Culturas Indígenas. Sua trajetória articula comunicação, arte, caminhada e incidência institucional na construção de narrativas indígenas contemporâneas comprometidas com memória, território, sustentabilidade e transformação social.Sobre a Arqueologia da QuebradaEm vez de limitar a arqueologia a escavações distantes e ruínas soterradas, a Arqueologia da Quebrada aponta a lente para a memória viva das periferias urbanas. Desenvolvida por Daniel Piuma Dode no Programa de Pós-Graduação do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE-USP), a pesquisa estrutura uma metodologia para conceber, produzir e viabilizar projetos audiovisuais com perspectiva arqueológica. A investigação desestabiliza a visão acadêmica tradicional sobre o que é considerado patrimônio. As marcas no concreto, as narrativas visuais e a cultura imaterial das quebradas deixam de ser vistas como margem para assumir o centro do debate sobre história e memória. Debatido em fóruns acadêmicos e grupos de estudo como o Representações: Imaginário e Tecnologia, do Departamento de Tecnologia da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design da Universidade de São Paulo, formalizado no diretório do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (RITe-AUT-FAUUSP-CNPq), o trabalho articula as noções de insurgência territorial e cinema periférico. A iniciativa recusa o olhar colonizador que trata a periferia como mero objeto de estudo: a quebrada surge aqui como sujeito ativo, capaz de produzir a própria linguagem, registrar seu território e disputar a narrativa da cidade.Sobre a Capela dos Aflitos (Capela de Nossa Senhora das Almas dos Aflitos)Encravada na Rua dos Aflitos, no bairro da Liberdade, é o epicentro de uma memória que a cidade de São Paulo tentou soterrar. Construída em taipa de pilão em 1774 (e inaugurada como capela em 1779), a estrutura pertenceu ao primeiro cemitério público paulistano. Antes de o bairro ser rotulado como um reduto oriental pela especulação imobiliária, aquele chão era reservado ao sepultamento de pessoas escravizadas, populações indígenas, indigentes e condenados à morte na forca do antigo Largo da Forca — hoje, Praça da Liberdade. Com a abertura do Cemitério da Consolação em 1858, a área foi desativada e vendida em hastas públicas pelas autoridades eclesiásticas. O loteamento desordenado sufocou o templo original sob o concreto de edifícios vizinhos, restando apenas o beco e a capela descaracterizada por reformas posteriores. Foi no Largo da Forca que a história cravou uma de suas devoções populares mais intensas: a do cabo Francisco José das Chagas, o Chaguinhas, executado em 1821 após liderar uma revolta por igualdade de soldos. A corda de seu enforcamento rompeu três vezes, e o povo transformou sua figura em símbolo de inocência e resistência negra. A memória cravada naquelas paredes recusa o apagamento. Escavações arqueológicas recentes no entorno e no piso da capela trouxeram à superfície ossadas humanas e artefatos históricos de enforcados, indígenas e escravizados. Desde 2018, a Associação União dos Amigos Capela dos Aflitos (UNAMCA) atua na zeladoria do espaço tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (CONDEPHAAT) e pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (CONPRESP). Além de exigir o restauro integral do imóvel e participar de marchas antirracistas, a entidade transforma o sítio arqueológico em espaço de aula, levando estudantes de todos os níveis para conhecer a história oculta do centro de São Paulo e sentir a energia viva daquele território.Sobre a Mobilização Saracura/Vai-VaiArticulação comunitária, cultural e social nascida no coração do Bixiga, ergue-se contra o apagamento da memória negra e quilombola no centro da capital paulista. O movimento emergiu em meados de 2022, reunindo moradores, sambistas, pesquisadores e organizações do movimento negro (a exemplo do Movimento Negro Unificado - MNU e da União de Núcleos de Educação Popular Pré-vestibulares e ENEM para a Juventude Negra, Indígena e Periférica - Uneafro), quando as perfurações das obras da Linha 6-Laranja do Metrô, na estação originalmente batizada de 14 Bis, trouxeram à superfície o Sítio Arqueológico Saracura/Vai-Vai. Do solo escavado emergiram mais de 110 mil objetos, alicerces e estruturas do antigo Quilombo Saracura, marco de resistência e povoamento preto no bairro, além de vestígios de ritos de Candomblé e das raízes do cordão carnavalesco que deu origem à tradicional Escola de Samba Vai-Vai. A mobilização confronta a lógica tecnocrática que trata o patrimônio ancestral como obstáculo descartável ao desenvolvimento urbano. Sob o lema “Metrô sim, mas sem a destruição do patrimônio histórico”, a articulação exige que todo o acervo resgatado permaneça no próprio Bixiga, aberto à visitação e à pesquisa pública, barrando o espoliamento e o apagamento cultural do território. Ao defender a criação da primeira estação metroferroviária musealizada do Brasil, batizada oficialmente como Saracura/Vai-Vai, o movimento transforma o canteiro de obras em uma área de disputa ativa pelo direito à memória e à cidade, garantindo que a história dos que ergueram e povoaram o bairro não seja soterrada pelo concreto.Sobre o Museu das FavelasSediado no Largo Páteo do Colégio, no Centro Histórico de São Paulo, é um equipamento da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo (SCEIC-SP), gerido pelo Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG). A instituição nasce de um processo de construção direta e colaborativa com as populações periféricas para fincar a memória, a arte e a potência criativa das favelas brasileiras no coração da cidade. Ao ocupar o antigo prédio da Secretaria da Justiça (após sua fase inicial no Palácio dos Campos Elíseos), o museu confronta estigmas históricos e devolve o protagonismo narrativo a quem produz a vida e a linguagem dos territórios populares. O espaço combina exposições de longa e curta duração a um Centro de Referência e uma biblioteca dedicada à literatura periférica. Suas iniciativas extrapolam as galerias por meio de programas de formação, empreendedorismo e circulação cultural, voltados ao fortalecimento das economias locais e à autonomia dos agentes das quebradas. Muito além de um espaço de guarda, opera para a autoafirmação e articulação política, garantindo que a produção intelectual e artística das favelas de todo o país seja pesquisada, registrada e difundida por quem a vivencia na pele.Sobre o Museu das Culturas Indígenas (MCI)Nasceu com o propósito de articular, pesquisar e comunicar as histórias de resistência e a produção intelectual, artística e tecnológica dos povos originários. Mais do que um espaço de guarda, o MCI consolida-se como uma instituição museológica dialógica e participativa, onde a memória da ancestralidade permite o compartilhamento de saberes, filosofias e artes. Inaugurado em 2022, o museu é um equipamento da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo (SCEIC-SP), gerido pela Organização Social de Cultura Associação Cultural de Apoio ao Museu Casa de Portinari (ACAM Portinari), rompendo paradigmas através de uma gestão compartilhada com o Instituto Maracá e o Conselho Indígena Aty Mirim. Este modelo garante o protagonismo direto de representantes dos povos Guarani (Mbya e Ñandeva), Kaingang, Krenak, Pankararu, Pataxó, Terena, Tupi-Guarani e Wassu-Cocal, transformando o museu em um espaço pulsante de troca e salvaguarda.Data: 28/11/2026, sábadoLocal: Museu das Culturas IndígenasHorário: das 14h às 17hVagas: 30 (trinta)Entrada: gratuita, mediante inscriçãoClassificação: 14 anosInformações: (11) 3873-1541Observações:- 30 (trinta) vagas;- as inscrições serão realizadas entre 21 e 28 de novembro ou esgotamento das vagas (o que acontecer primeiro);- ao adquirir mais de um ingresso, no campo “Informação do participante”, preencha com nome e e-mail correspondentes à pessoa que utilizará o ingresso;- caso seja necessário intérprete de libras para acompanhar a atividade, enviar solicitação por e-mail para contato@museudasculturasindigenas.org.br, com pelo menos 72 horas de antecedência;- no dia de realização da atividade, serão disponibilizados ingressos presenciais na bilheteria, a fim de preencher eventuais vagas de quem se inscrever previamente e não comparecer;- a entrada/participação de crianças menores de 12 anos só é permitida se acompanhada de um responsável maior 18 anos de idade;- para maior comodidade, aconselhamos chegar com 30 minutos de antecedência do horário da atividade;- para conforto e segurança de todos os participantes, não é permitida a entrada com malas, mochilas, dentre outros tipos de bolsas grandes. Pedimos a gentileza de consultar a disponibilidade e utilizar nosso guarda-volumes, localizado no Térreo/Recepção. Bolsas de amamentação ou com medicação são as únicas exceções permitidas;- ao participar das atividades presenciais do Museu das Culturas Indígenas (MCI), registros fotográficos e em vídeo podem ser feitos pela equipe. O seu uso será exclusivamente para fins de divulgação institucional e promocional do MCI. Caso tenha alguma objeção a essas finalidades, informe nossa equipe.
Datas e ingressos
28 de nov · 14:00 às 17:00Ver preçosNa SymplaLocal
Museu das Culturas Indígenas (MCI)São Paulo · SPComo chegarInformações
- Data
- sábado, 28 de novembro às 14:00
- Horário
- 14:00 às 17:00
- Vendido por
- Sympla
- Estilo
- Cultura
- Cidade
- São Paulo, SP








