Duo voz e piano | 14º Festival de Música Erudita do Espírito Santo

Raquel Paulin, sopranoAntonio Vaz Lemes, pianoPROGRAMAHeitor Villa-Lobos (1887-1959)Nozani-náDinorá de carvalho (1895-1980)Ideti, a menina preta que buscava DeusMaurice Ravel (1875-1937)Shéhérazade: AsieVilla-Lobos (1887-1959)Saudades das selvas brasileirasChico Buarque (1944) e Francis Hime (1939)PassaredoArranjo: Antonio Vaz LemesDolores Duran (1930-1959)Minha toadaArranjo: Antonio Vaz LemesBabi de Oliveira (1908-1993)Singela canção de MariaCantares de PernambucoCamargo Guarnieri (1907-1993)CantigaVilla-Lobos (1887-1959)Choro 5: Alma brasileiraLina Pires de Campos (1918-2003)Eu sou como aquela fonteOswaldo de Souza (1904-1995)Destino de AreiaLorenzo Fernandez (1897-1948)Dentro da noiteRonaldo Miranda (1948)Soneto da separaçãoMilton Nascimento (1942), Lô Borges (1952) e Márcio Borges (1946)Clube da Esquina Nº2Aldir Blanc (1946-2000) e Márcio Tapajós (1943-1995)Querelas do BrasilAry Barroso (1903-1964)Aquarela do BrasilNeste programa queremos convidar o público para uma experiência musical imersiva na temática central desta edição: o Brasil, o Brasil de tantas facetas, cores e sabores. O Brasil da natureza, das saudades, do amor e da melancolia.As três primeiras peças do programa são cantadas em idiomas diferentes do português: paresi-haliti, iorubá e francês. Com isso, nos remetemos à pluralidade de culturas e falas que coabitam o nosso país. Todas as obras têm narrativas impregnadas de ritual, do mágico, do sagrado e do sonho. Nozani-ná de Villa-Lobos, sobre cantos dos índios Paresi Haliti do Mato Grosso, registrados em 1912 pelo antropólogo Roquette-Pinto. Nozani-ná corresponde a um canto ritual relacionado à cosmologia e às flautas sagradas desse povo.A segunda peça, Ideti, A menina preta que buscava Deus, com versos em iorubá, é exemplo da constante inserção da temática afro-brasileira na obra de Dinorah de Carvalho. Ideti é guiada pelo espírito de sua mãe, transfigurado em pássaro, ao encontro de Obá Orun, que reconhece sua confiança, e a recompensa, transformando a narrativa em uma alegoria sobre a proteção divina, a superação das adversidades e a força da fé.Em alusão à profusão de imigrantes de inúmeras origens que vieram para o Brasil cheios de sonhos, trazemos ao programa Asie, primeiro movimento de Shéhérazade, de Maurice Ravel. O poema retrata o desejo de aventura em um ambiente de riqueza imaginativa e de sonhos, aproximando-se do imaginário que acompanhou muitos imigrantes das mais diversas origens que se instalaram no país.Saudades das selvas brasileiras (1927), para piano solo, de Villa-Lobos, é uma obra estruturada sobre movimentos rítmicos e retoma o tema das saudades, presente nos programas dos recitais de piano solo e de clarinete e piano, do festival. Esta obra, funciona como uma introdução às canções que evocam a natureza, os sabores da comida, o feitiço – a mironga – além de abordarem o amor de maneira leve. Vamos escutar os nomes dos pássaros, na canção de Chico Buarque; o amor que, na toada de Dolores Duran, traz a alegria do simples, do comum e da casa de sapê; as duas canções de amor da Babi de Oliveira; e o canto de amor repartido das pombinhas, na Cantiga de Guarnieri.Choro 5 – Alma Brasileira, de Villa-Lobos, obra para piano solo de 1925, é talvez uma das peças mais executadas do seu repertório pianístico. Segundo o compositor, a natureza do choro, enquanto gênero musical, é o sentimentalismo e a tristeza. A peça tem início em uma tonalidade menor, que pode ser facilmente associada a esses sentimentos, e, neste programa, Alma Brasileira introduz uma nova seção, na qual a natureza também integra a poesia das canções de Lina Pires de Campos, Oswaldo de Souza, Lorenzo Fernandez e Ronaldo Miranda. Nelas, o amor se revela como sofrimento, tristeza, saudade e dor. Clube da Esquina nº 2, de Milton Nascimento e Lô Borges, com letra de Márcio Borges (1979) foi composta durante a ditadura militar brasileira (1964-1985). Tem como pano de fundo social a repressão política das décadas de 1960 e 1970 e revelam, por meio de metáforas poético-musicais uma declarada resistência ao regime.O Clube da Esquina foi um movimento musical e cultural brasileiro surgido em Belo Horizonte no final da década de 1960 que, durante a ditadura militar, constituiu uma proposta estética baseada no diálogo entre diferentes tradições musicais.A canção Clube da Esquina nº 2  dialoga com o programa de piano solo, no qual foi executada sem a letra, como na gravação original de 1972, para, em 1979, receber os versos do poeta. É extraordinária a maneira como aborda a esperança dos sonhos que não envelhecem, ao mesmo tempo em que contorna a censura da ditadura por meio das harmonias e da melodia, que suavizam o significado de versos que remetem à violência do Estado, em contraponto ao desejo de liberdade, como: “em meio a tantos gases lacrimogênios ficam calmos, calmos, calmos”. As duas últimas obras do programa são Querelas do Brasil, de Aldir Blanc e Maurício Tapajós (1978) e Aquarela do Brasil, de Ary Barroso (1939). A primeira sugere em seu título uma resposta à segunda. Composta durante a ditadura militar brasileira, Querelas do Brasil, música de denúncia, utiliza a riqueza da cultura brasileira como contraponto ao discurso do regime. Por meio de um jogo de palavras e de referências a personagens da literatura, da música, dos povos indígenas e do folclore, os compositores constroem uma crítica à repressão política e ao enfraquecimento da identidade nacional diante da crescente influência da cultura estrangeira. A oposição entre “o Brazil” e “Brasil”, evidencia esse contraste. Aquarela do Brasil, de Ary Barroso, consolidou o samba-exaltação como expressão musical da identidade nacional construída durante o Estado Novo da Era Vargas (1930-1945). Embora não tenha sido criada com um viés político, algumas características da canção, como a exaltação das riquezas naturais e da mestiçagem, favoreceram o seu uso como propaganda pelo governo. Neste contexto, a orquestração original de Radamés Gnatalli, que substitui a forte presença da percussão por blocos de metais, inseriu a música em uma linguagem orquestral, deixando a obra em um contexto cultural deslocado do samba enquanto gênero. O arranjo de Antonio Vaz Lemes para o programa dilui o fluxo rítmico do samba e nos coloca diante de memórias e reflexões sobre nosso país.

Datas e ingressos

14 de nov · 20:00 às 21:00Entrada grátisNa Sympla · com taxa, R$ 0,00

Local

Theatro Carlos GomesVitória · ESComo chegar

Informações

Data
sábado, 14 de novembro às 20:00
Horário
20:00 às 21:00
Vendido por
Sympla
Estilo
Shows
Cidade
Vitória, ES

Duo voz e piano | 14º Festival de Música Erudita do Espírito Santo

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