
25 de nov · Teatro
EurAsia Dance Company apresenta 'Om Mani Padme Hum' e 'Svarupa & Vyakta'
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Sobre o evento
A questão mais interessante no trabalho da EurAsia Dance Company está na forma como uma tradição pode entrar na dança contemporânea sem ser simplesmente reproduzida.Stefano Fardelli construiu o repertório a partir de um processo de observação e transformação. Durante as turnês, os intérpretes estudam elementos técnicos das danças locais e suas linguagens corporais. Ritmo, simbolismo e ritualidade tornam-se matéria coreográfica. A etapa seguinte consiste em modificar esses elementos até que deem origem a novas sequências, mantendo abstrata a construção cênica.Esse processo também muda de intérprete para intérprete. Os EurAsia Dancers têm origens, formações e qualidades de movimento diferentes. O mesmo material é, portanto, traduzido por corpos distintos e carrega marcas das tradições de dança com as quais cada bailarino entrou em contato. A coreografia preserva uma estrutura comum, mas não apaga as diferenças de quem a executa.É um método que dá à viagem uma função concreta: o encontro cultural entra diretamente na maneira como o movimento é construído.Om Mani Padme Hum é um dos exemplos mais completos dessa pesquisa. Encomendada pelo Kolkata Centre for Creativity, na Índia, em colaboração com DanceHausPiù e Berlin Dance Institute, a peça toma como referência práticas rituais do budismo tibetano e materiais gestuais asiáticos. Entre eles, ganha destaque o estudo dos mudras, especialmente na construção dos movimentos dos braços e das mãos.A cena evita uma reconstrução literal. Chapéus e mantos sugerem um universo ritual, enquanto a composição do espaço permanece abstrata. O gesto é retirado de sua função original e inserido em outra gramática.A escolha musical acentua esse procedimento. Às composições originais de Francesco Ziello somam-se obras de Rachmaninov, Bach e Dobrinka Tabakova. O contraste entre a origem das imagens evocadas pelos corpos e a paisagem sonora ocidental produz uma tensão precisa. O que aparece em cena e o que chega aos ouvidos pertencem a territórios diferentes.Ao colocar Svarupa & Vyakta ao lado dessa peça, o programa revela outra vertente da pesquisa de Fardelli. A obra nasce de Svarupa-Vyakta, solo criado após uma viagem à Índia e levado em turnê pelo coreógrafo entre 2014 e 2019. O ponto de partida é a ideia do Eu, sugerida pela experiência de observar o próprio reflexo nas águas do Ganges.A passagem do solo ao dueto modifica radicalmente sua estrutura. A identidade passa a ser colocada em relação com um segundo corpo. Cinco balões, concebidos como projeções do Eu, introduzem outras presenças no espaço e obrigam os intérpretes a redefinir continuamente distâncias e trajetórias.A aproximação entre as duas obras é coerente porque evita a uniformidade. Om Mani Padme Hum parte de um código coletivo e ritual. Svarupa & Vyakta parte da identidade e de sua duplicação. Nos dois casos, Fardelli transforma um material preexistente até tornar instável o seu significado.





