Genealogia Negra da Justiça Reprodutiva: teoria e ação política
ObjetivoApresentar a genealogia negra da justiça reprodutiva como pensamento e prática política, refletindo sobre as relações de poder que atravessam as trajetórias reprodutivas e condicionam o exercício de direitos e a autodeterminação reprodutiva.SobreA justiça reprodutiva nasce de uma crítica radical segundo a qual não existe liberdade reprodutiva onde não existem condições para exercê-la. Formulada politicamente por mulheres negras, em diálogo com lutas mais amplas de mulheres racializadas, ela confrontou os limites de uma concepção de autonomia assentada na escolha individual e evidenciou que o reconhecimento dos direitos sexuais e dos direitos reprodutivos (DSDR) e o acesso à saúde reprodutiva não podem ser dissociados das condições sociais, materiais e políticas que produzem possibilidades profundamente desiguais de decidir sobre a reprodução.Embora a justiça reprodutiva tenha sido nomeada e formulada como conceito político no final do século XX, os processos de dominação, as violências e as formas de resistência que constituem sua genealogia atravessam há séculos a vida das mulheres negras. A escravização, as esterilizações coercitivas, o controle da fecundidade, a criminalização do aborto, o racismo obstétrico e a deslegitimação das maternidades negras integram uma longa história de controle sobre os corpos e a reprodução. Esses processos, atravessados por raça, gênero, classe, território e outros marcadores sociais, produzem hierarquias que incidem sobre a autonomia corporal, o direito de ter ou não ter filhas/os, o exercício da maternidade e as condições para criar e cuidar de suas/seus filhas/os com dignidade e segurança. No Brasil, especialmente a partir das décadas de 1980 e 1990, o movimento de mulheres negras tornou incontornável a denúncia do controle da reprodução, das esterilizações de mulheres negras e pobres e das desigualdades raciais no exercício dos direitos reprodutivos.O aulão propõe percorrer essa genealogia negra da justiça reprodutiva, colocando sua formulação política em diálogo com o pensamento, as experiências e as lutas das mulheres negras da afrodiáspora e compreendendo a reprodução como território de controle, disputa e resistência. Aborto, contracepção, esterilização, gestação, parto, maternidade e cuidado serão pontos de partida para refletir sobre as desigualdades que atravessam essas trajetórias, incluindo a persistência de indicadores desfavoráveis de saúde, especialmente aqueles relacionados à morbimortalidade materna, que evidenciam os efeitos do racismo sobre o acesso e a qualidade do cuidado.Ao inscrever a autodeterminação reprodutiva no horizonte mais amplo da justiça social, a justiça reprodutiva evidencia como as possibilidades de decidir sobre o próprio corpo e a reprodução são condicionadas pelo racismo, pelo cisheteropatriarcado e pela exploração de classe. O encontro abordará as articulações entre DSDR e (in)justiça reprodutiva, reconhecendo na produção política e intelectual das mulheres negras possibilidades de construção de horizontes contracoloniais.IDEALIZAÇÃO E FACILITAÇÃO:Marjorie Chaves é oxunista, afrodiaspórica e contracolonial. Benzedeira cerratense, é guardiã da sabedoria do ventre e da saúde integrativa em uma perspectiva afropindorâmica. Atua nos campos do pensamento negro radical, da história social das mulheres negras e dos estudos de gênero, com ênfase em direitos sexuais e justiça reprodutiva. Seu engajamento abrange educação popular em saúde, saúde da população negra e políticas de equidade em saúde, promovendo ações de educação permanente. Coordena o Observatório da Saúde da População Negra, vinculado ao Núcleo de Estudos de Saúde Pública (Nesp/FS-UnB).INFORMAÇÕES:Data e horário: 11/11 das 19h às 21hINSCRIÇÕES GRATUITAS, com opção de contribuição voluntária.Opção 01 - Inscrição gratuitaOpção 02 - Colaboração voluntária: R$10Opção 03 - Colaboração voluntária: R$20Opção 04 - Colaboração voluntária: R$30Opção 05 - Colaboração voluntária: R$40Curso online e ao vivo, via plataforma ZoomTodas as aulas são gravadas e disponibilizadas para quem estiver inscrite (vídeo disponível no drive por um mês após a realização do curso)Emissão de certificado de participação para quem assistir às aulas ao vivo.Classificação indicativa: 18 anos
Datas e ingressos
11 de nov · 19:00 às 21:00A partir de R$ 10,00Na Sympla · com taxa, R$ 13,99Informações
- Data
- quarta-feira, 11 de novembro às 19:00
- Horário
- 19:00 às 21:00
- Vendido por
- Sympla
- Estilo
- Cultura








