pystta.

31 de ago · Cultura

imagem-sapatão: um entroncamento entre lesbianidades e transmasculinidades

Comprar na Sympla

A compra acontece no site da Sympla.

Sobre o evento

SOBRE:Vamos investigar, ao longo dos dois encontros, os limites entre legibilidade e ilegibilidade; visibilidade e invisibilidade; representação e representatividade, visando analisar as relações entre História da Arte, museu, pornografia, corpos dissidentes, feminismos, pensamento lésbico, teorias queer/cuir e estudos pós-pornô.No mês da visibilidade lésbica, tensionaremos o imperativo do tornar-se visível, légivel e representável a partir da redução à transparência ontoepistelógicamente das categorias “lésbica” ou “transmasculino”. Para questionarmos a oposição ou mútua-exclusão entre as duas categorias, desenharemos alguns pontos de interrogação: como as representações hegemônicas e as representações desviadas operam forças de assujeitamento e subjetivação? O que pode ser visto, quem pode ser visto, por quem, onde e como? Qual a arquitetura do visível no que diz respeito ao corpo, ao gênero e à sexualidade? Como o visível no Museu determina existências sociais possíveis e impossíveis? Para quê(m) servem os meses de visibilidade cada vez mais submissos ao mercado mundial integrado da diversidade? Quais relações se estabelecem entre a categorização dos desejos e dos corpos e “a medição, a quantificação, a padronização (ou objetificação, tornar objeto) daquilo que pode ser conhecido, em relação ao sujeito conhecedor, para controlar tanto as relações entre as pessoas e a natureza, quanto, em especial, a propriedade dos meios de produção” (QUIJANO apud LUGONES, p.58, 2020)?O curso “Imagem-sapatão: um entroncamento entre lesbianidades e transmasculinidades” mergulha, amplamente, na dialética entre masculinidade e pensamento lésbico. Vamos investigar a fantasmização ou pornografização de práticas de gênero sapatão, bollera, butch, bofe – deslocamentos e reapropriações do classificado como masculino – que aparecem sempre, discursivamente, pendulando entre invisibilidade e hipervisibilidade.Neste curso me esforço para tornar visível o esforço exaustivo de um certo feminismo lésbico na construção da lésbica como a mulher-que-ama-mulher e na circunscrição dessa lésbica ao universo “feminino” empurrando as incorporações de masculinidade tão comuns na classe trabalhadora para a esfera da despolitização que dever ser curada de si mesma.Percorremos este caminho a partir de uma coleção de imagens de masculinidade e transmasculinidade lésbica. Uso aquilo que chamo de "imagem-sapatão" e de "racha/dura" para construir montagens que tornam a trans/masculinidade lésbica legível como prática de gênero. Parto do exame do que Jack Halberstam chama de borders wars, ou guerras da fronteira, entre butchs e FtMs na década de 1990 – discussão tão central para o pensamento lésbicuir como as sex wars foram para o feminismo – para imaginar outras memórias sapatão através d'uma escritura ética que escape do texto moderno do mundo ordenado pelos programas kantianos e hegelianos, fundadores da modernidade-colonial.Aproximaremos 1) imagens de arte canonizadas pelo discurso historiográfico hegemônico e 2) imagens pós-pornográficas produzidas por corpos-sapatão para perguntar: o que surge [ou não] quando enxergamos entre e além dos polos binarizados? As montagens fazem ver racha/duras nos códigos naturalizantes de "masculinidade" e "feminilidade" – “racha/dura faz menção ao ato de rachar, repartir, quebrar algo, como também ao vocábulo travesti para vulva: “racha”. Uma racha dura é um órgão que se reapropria do que lhe foi retirado na ordenação binária dos sexos: endurecer, estar ereta e excitada.” (Pacor, 2024, p.13) Situarei, assim, nas rachas/duras, através da exposição bibliográfica, da discussão e da leitura de ensaios visuais, imagem-sapatão como um espaço significante onde se cruzam memórias lésbicas e transmasculinas. Para escapar das border wars descritas por Jack Halberstam, a imagem-sapatão desvia ao mesmo tempo das sexualidades produzidas como “normais” e dos gêneros prescritos como “naturais”.Sapatão emerge, assim, como imagem de ruptura da organização moderna – cultura versus natureza, homem versus mulher, hetero versus homo, gênero versus sexo. A imagem-sapatão se constituirá aqui como montagem de imagens que faz aparecer o entroncamento entre lesbianidade e transmasculinidade. Junto à imagem-sapatão, fora do fechamento identitário, busco maneiras complexas de narrar memórias e histórias fronteiriças. A partir da imagem-sapatão, discutiremos o controle biopolítico da "masculinidade" produzido nas imagens e por meio delas. Assim a discussão é desenvolvida na fronteira – no espaço de diálogo e na margem – interdisciplinar entre Histórias e Filosofias da Arte, Feminismos e Teorias de Gênero. Encontraremos com crítica feminista da História da Arte; a noção de constelação de Walter Benjamin; o Bilderatlas Mnemosyne de Aby Warburg; o Museu Feminista Virtual de Griselda Pollock; o continuum masculino de Jack Halberstam; a opacidade de Éduard Glissant; a fugitividade e a escrita lesbiana de val flores; o fantasma lesbiano de Barbara Ramajo e Terry Castle; a colonidade de gênero de Maria Lugones; os sonhos drag king de Leslie Feinberg; o homonacionalismo e os mosaicos queer de Jasbir Puar; o corpo lésbico de Monique Wittig; os vagalumes de Didi-huberman; a fabulação de Saidiya Hartman; o Eros de Audre Lorde; e a imaginação, a imagem, sempre.E se usarmos a imagem, a imaginação, a interferência gráfica na linguagem para promover colapsos nas formas de apresentar ideias ao redor do conceito de gênero e de Arte, entendendo que ambos esses paradigmas estão em crise? O que acontece se usarmos hífens ou barras, como em imagem-sapatão e racha/dura? O que acontece quando os sujeitos se dão o direito de interferir na linguagem? O que acontece se usarmos criticamente e filosoficamente sinais diacríticos? Como as teorias de gênero e as teorias da imagem se interpenetram e que linhas de fuga oferecem uma à outra? Em resumo, o que acontece quando a/o/e sapatão imagina?Aula 1:- afinal, História da Arte e Teoria da Imagem? A crítica feminista da área;- sexologia e a tipificação dos sujeitos;- no feminismo lésbico e a cultura butch/femme;- sex wars e border wars;- relação entre pornografia, Arte e Museu;Aula 2:- interferir na linguagem: imagem-sapatão e racha/dura;- o hífen e a barra como operadores gráficos de mundos outros;- entroncamento entre lesbianidades e transmasculinidades;- pós-pornós e remontagens de masculinidade/feminilidadePublico alvo:Sapatões, lésbicas, transmasculines, sandalinhas, boycetas, trans*. O curso se destina a pessoas que se interessam pelas cruzas entre lesbianidades e transmasculinidades de maneira ampla e, também, especificamente no campo da imagem; uma série de temas são introduzidos como questões que não buscam uma resposta absoluta, portanto não é necessário nenhum conhecimento específico anterior.IDEALIZAÇÃO E FACILITAÇÃO:Pacor (Rio de Janeiro, 1989) é artista visual e poeta que pesquisa. No Instituto de Artes da UNESP, integra a coordenação do grupo de pesquisa FIGAS [feminismos, imagens, gêneros, artes e sexualidades]; participa da Comissão TransIdentidades; defendeu o mestrado “Imagem-sapatão: práticas pensantes de racha/dura”; e desenvolve, agora, o doutorado “D/existências pornográficas na Imagem-sapatão: masculinidade dissidente, História da Arte e pós-pornós”.INFORMAÇÕES:Data e horário: 31/08 + 01/09 das 19h às 21hValores conscientes, você paga o quanto pode no momento!Opção 01 - Mínimo: R$50Opção 02 - Intermediario: R$75Opção 03 - Ideal: R$100BOLSA INTEGRAL/PARCIAL: se você quer fazer este curso mas não dispõe de recursos financeiros no momento, mande a sua solicitação de bolsa através do seguinte formulário: https://forms.gle/4S8z62sTcsdr9tRV9Serão disponibilizadas bolsas para todes que solicitarem, até que o limite de vagas do aulão seja atingido Curso online e ao vivo, via plataforma ZoomTodas as aulas são gravadas e disponibilizadas para quem estiver inscrite (vídeo disponível no drive por um mês após a realização do curso)Emissão de certificado de participação para quem assistir às aulas ao vivo.Classificação indicativa: 18 anos

Eventos parecidos