
22 de set · Cultura
LETRA EM CENA - EUGÉNIO ANDRADE
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Sobre o evento
Eugénio de Andrade, embora tenha uma imensa popularidade em Portugal, onde é considerado "talvez o poeta mais conhecido e lido depois de Fernando Pessoa", segundo o convidado Eucanaã Ferraz, ainda mantinha uma circulação muito restrita ao ambiente acadêmico no Brasil. Esse cenário começou a mudar recentemente com o lançamento de “Os amantes sem dinheiro e outros poemas”, antologia organizada pelo próprio Ferraz e publicada no ano passado pela Companhia das Letras.De acordo com Eucanaã, a obra de Eugénio de Andrade carrega uma dualidade única. "Eugénio de Andrade é um poeta raro. Sua poesia consegue encantar o crítico mais exigente e atrair o leitor mais despreparado", afirma o palestrante. Ele relembra também o impacto humano e social das publicações do autor durante períodos históricos sombrios: "Em certo período da ditadura salazarista, os presos políticos pediam livro de Eugénio de Andrade para ler na prisão. O próprio Eugênio disse que compreendia tal interesse, pois sua poesia é luminosa, e eles viviam na escuridão", destaca.Esta é a terceira participação do ensaísta no projeto literário do Minas Tênis Clube. Anteriormente, ele esteve presente para debater as obras de Vinicius de Moraes e de Sophia de Mello Breyner Andresen. Para Eucanaã, existe uma clara linha condutora que une esses três grandes nomes: "Creio que existe um ponto de contato entre os três autores: escrever versos de afirmação da vida, criaram poemas que olham no olho do leitor. E elevaram a dignidade da língua portuguesa".Para o próximo Letra em Cena, o convidado enfatiza que o foco da noite será a própria potência das palavras do homenageado. "Quero, sobretudo, ler poemas e acompanhá-los com breves comentários. Não vale a pena roubar o tempo que pode ser dedicado aos versos para falar sobre eles – é preciso ir diretamente à palavra de Eugénio. É o que espero fazer", afirma. A expectativa é conquistar de vez o público mineiro. "Gostaria que o público do Minas Tênis Clube saísse do evento transformado em leitor da poesia de Eugénio de Andrade. Se eu acho isso possível? Sim, e digo que é impossível que isso não aconteça", conclui Eucanaã.





