
29 de ago · Teatro
MALASOMBRO - um terror de esculhambação
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Sobre o evento
Em
algum lugar de Fortaleza existe um velho casarão onde até as assombrações
perderam o juízo. É ali que vive Vampeta, um decadente senhor das trevas às
voltas com uma maldição: a cada quatro anos, precisa beber o sangue de um
pescoço específico. Caso fracasse, sofrerá um destino que considera muito pior
que a morte.
Enquanto
tenta escapar de seu terrível destino, a mansão é administrada pela governanta
Tábata Samanta e pelo imprevisível André Caneco, dois funcionários que
conhecem, ou pensam conhecer, os segredos daquela família. Entre uma caveira
inconveniente, parentes suspeitos e histórias mal contadas de um certo verão de
1972, o casarão vai revelando um passado em que ninguém parece ser exatamente
aquilo que diz ser. A confusão aumenta quando, durante uma repressão de
manifestação, Whitney Britney da Silva e seu namorado Waldisney Biologia
procuram abrigo na mansão sem imaginar quem, ou o quê, vive ali.
A
partir desse encontro, humanos e assombrações passam a disputar quem é capaz de
produzir o maior horror. E, entre revelações familiares, desejos reprimidos,
militâncias atrapalhadas, relações de trabalho, política, religião, redes
sociais e cultura pop, a noite demonstra que talvez os monstros sejam a parte
menos assustadora daquela história.
Escrita
por Carri Costa, MALASOMBRO - Um terror esculhambado se apropria dos clichês
das clássicas histórias de terror para virá-los pelo avesso através de uma
comicidade essencialmente cearense. Vampiros, mansões assombradas, tempestades,
caveiras e maldições continuam lá, mas atravessados pela fala popular, pela
sátira social, pelo deboche e por uma Fortaleza que invade a Transilvânia sem
pedir licença. A peça também ri do próprio teatro: personagens conversam com a
plateia, desafiam a dramaturgia, questionam suas marcações e parecem saber que
estão presos dentro de uma comédia. Em MALASOMBRO, ninguém escapa da
esculhambação, nem a política, nem os costumes, nem as redes sociais, nem os
personagens e muito menos o próprio autor. Porque, naquele casarão, até o
terror precisa aprender uma coisa: no Ceará, antes de meter medo, tem que
sobreviver à molecagem.Fortaleza nunca foi tão perto da
Transilvânia. E a Transilvânia nunca esteve tão lascada.






