
26 de set · Saúde e Bem-estar
Performance real, inclusão obrigatória: TDAH, TEA e outras neurodivergências no mundo corporativo
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Sobre o evento
Durante décadas, o mundo do trabalho foi organizado a partir de uma ideia pouco flexível sobre como as pessoas deveriam se concentrar, se comunicar, organizar tarefas, liderar equipes e demonstrar competência. Mas o que acontece quando o cérebro de um profissional funciona de outra maneira?Nesta edição do JG TV Casa Aberta, vamos discutir neurodivergência, produtividade e inclusão a partir de uma perspectiva essencialmente prática: o que empresas, gestores e os próprios profissionais neurodivergentes podem fazer para criar condições reais de desenvolvimento, permanência e performance?O JG TV Casa Aberta é um projeto que abre as portas do estúdio para que o público acompanhe, ao vivo, a gravação do podcast JG TV. Mais do que assistir a uma ou várias entrevistas, o público participa de uma experiência de troca, aprendizado e networking, com a oportunidade de interagir entre si e diretamente com os convidados ao final da gravação.POR QUE ESSE TEMA IMPORTA?Comecemos pelo Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, o TDAH, para dimensionar a urgência dessa conversa.Uma revisão científica recente e abrangente, publicada na Psychiatry Research, reuniu dados de mais de 21 milhões de adultos e estimou uma prevalência de TDAH em 3,1% na população mundial adulta.No Brasil, a relevância do tema chegou ao Congresso Nacional. O Projeto de Lei nº 479/2025 propõe reconhecer o TDAH como deficiência para todos os efeitos legais. A proposta evidencia a crescente discussão sobre as barreiras que pessoas com TDAH podem enfrentar em diferentes contextos, inclusive no acesso, na permanência e no seu desenvolvimento no mercado de trabalho ou no empreendedorismo.Para muitos adultos, o impacto do TDAH aparece justamente em aspectos associados à produtividade nas empresas: organização, gestão do tempo, definição de prioridades, atenção sustentada, administração de múltiplas demandas e regulação diante de interrupções e estímulos. E muitas pessoas só descobrem o TDAH anos após se depararem com dificuldades em um ou mais — ou todos — desses aspectos na vida laboral. Ainda antes disso, essas mesmas barreiras podem levar à interrupção da formação acadêmica requerida para um posto de trabalho em uma companhia.O diagnóstico tardio é realidade comum entre profissionais com TDAH, assim como também ocorre entre indivíduos com Transtorno do Espectro Autista, o TEA, que fazem parte de uma estatística significativa no Brasil. Os dados do Censo 2022, divulgados pelo IBGE em 2025, identificaram 2,4 milhões de brasileiros diagnosticados com TEA, o equivalente a 1,2% da população.Profissionais autistas podem exigir diferentes níveis de suporte e enfrentar dificuldades relacionadas à comunicação e à interação social, à adaptação a mudanças, ao processamento de estímulos sensoriais e à compreensão de regras sociais implícitas no ambiente acadêmico ou corporativo. Em contextos pouco adaptados, essas barreiras podem comprometer não apenas a inserção, a permanência e o desenvolvimento profissional, mas também a possibilidade de que suas competências sejam plenamente reconhecidas e aproveitadas.O indivíduo com TEA, por sua vez, tem amparo legal específico. A Lei nº 12.764/2012, conhecida como Lei Berenice Piana, instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista e reconhece o autismo como deficiência para todos os efeitos legais, inclusive para a inclusão profissional nos termos da Lei de Cotas para Pessoas com Deficiência, prevista no artigo 93 da Lei nº 8.213/1991, que este ano completa 35 anos.Mas inclusão não é apenas o cumprimento de uma legislação.Processos seletivos rígidos, falta de suporte específico, quando requerido, ambientes sensorialmente inadequados, comunicação ambígua, excesso de reuniões, múltiplas interrupções, falta de previsibilidade e avaliações baseadas em padrões únicos de comportamento podem se transformar em obstáculos para profissionais neurodivergentes, ainda que encontrem espaço no mundo empresarial ou no mercado de trabalho. É sobre isso a conversa proposta pela JG TV nesta edição.Como o próprio episódio já anuncia, a inclusão é obrigatória e a performance é real (leia-se real como sinônimo de certa, possível, dentre outas trantas expressões que confirmem o que já se concluiu: neurodivergentes podem ser excelentes líderes, empreendedores, profissionais).Não porque todo neurodivergente tenha automaticamente talentos extraordinários ou porque um diagnóstico determine a capacidade profissional de alguém. Mas porque quando diferentes formas de pensar, trabalhar, comunicar e liderar são acolhidas adequadamente em um negócio ou espaço de trabalho, as pessoas podem atingir o seu máximo potencial. É nesse ambiente que a neurodiversidade pode ampliar perspectivas, repertórios e formas de resolver problemas nas equipes e nas posições de liderança, além de influenciar decisões sobre grandes inovações e o próprio olhar sobre a inclusão.Empreendedor, profissional de RH, desenvolvimento humano ou gestor em qualquer escalão, neurodivergente ou não, profissionais neurodivergentes em geral: este programa é para vocês!TÓPICOS QUE ORIENTARÃO A CONVERSA:• Cenário do TDAH, do TEA e de outras neurodivergências no mundo do trabalho e do empreendedorismo: números, diagnóstico tardio e experiências dos convidados.• Mitos da neurodivergência: criatividade, superdotação e estereótipos.• Neurodivergência, liderança e produtividade: o que impacta ou otimiza a performance e os relacionamentos corporativos? (Adaptações práticas que podem melhorar organização, comunicação, produtividade e bem-estar)• Inclusão além das obrigações legais: como reconhecer barreiras e criar condições mais adequadas para suas equipes e empresas — cultura, recrutamento, gestão, desenvolvimento e avaliação de desempenho.• A vulnerabilidade do profissional em xeque, no currículo, na entrevista e na forma de liderar: como falar sobre sua neurodivergência sem vitimismo, reconhecendo limitações e valorizando potencialidades.CONVIDADOSMarina VazRecém-diagnosticada com TDAH, Marina Vaz é fundadora e CEO da Scooto, empresa referência em inteligência de relacionamento com o cliente e signatária do Pacto Global da ONU. Sua trajetória reúne empreendedorismo, inovação e impacto social, com reconhecimento da ApexBrasil por duas vezes e atuação comprometida com a equidade de gênero, o trabalho digno e a geração de impacto positivo. Lidera a estratégia de crescimento da empresa, que hoje reúne mais de 200 operações e mais de mil mulheres, com mais de R$ 100 milhões de faturamento consolidado. Empreendedora serial, foi reconhecida pela Forbes Mulher em 2024 e finalista do Startup Awards por três anos consecutivos. Foi co-fundadora da B2Mamy, comunidade que conecta mães empreendedoras ao ecossistema de inovação, da qual hoje é investidora-anjo.Marcelo VitorianoPsicólogo, especialista em Terapia Comportamental Cognitiva em Saúde Mental pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e mestre em Psicologia da Saúde pela Universidade Metodista de São Paulo.Possui mais de 25 anos de experiência em diferentes áreas, incluindo reabilitação, capacitação e inclusão de pessoas com deficiência, além de ampla atuação na gestão e no desenho de programas de Diversidade, Equidade e Inclusão em empresas de grande porte.É articulista da "Revista Autismo" e um dos autores do livro "Diversidade e Inclusão e suas Dimensões – Volume II" e do livro "Gestão da Diversidade, Carreira e Mercado de Trabalho".Também possui participação em boards de organizações sociais como a Associação Specialisterne e a Parças Developers School e certificação pelo ISE Business School no Advanced Board Leaders Program.Atualmente, é CEO da SPECIALISTERNE BRASIL, organização social de origem dinamarquesa presente em 26 países, que atua na formação e inclusão de pessoas autistas no mercado de trabalho.APRESENTAÇÃOJussara GoyanoJornalista criadora da JG TV e empreendedora, também atua em desenvolvimento humano, conduzindo a conversa a partir de uma perspectiva que une empreendedorismo, carreira e os desafios contemporâneos do mundo do trabalho.Diagnosticada com TDAH desde os 28 anos — e tratada somente aos 47 —, traz também para este episódio a experiência de quem revisitou sua própria trajetória profissional e pessoal a partir de uma nova compreensão sobre produtividade e formas de funcionamento cognitivo.AO FINAL DA GRAVAÇÃOO público poderá participar da conversa, fazer perguntas aos convidados e ampliar sua rede de contatos em um ambiente de troca, aprendizado e networking.FONTES PARA CONSULTACâmara dos Deputados — PL nº 479/2025https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao/?idProposicao=2484087IBGE — Censo 2022 e diagnóstico de autismo no Brasilhttps://educa.ibge.gov.br/jovens/materias-especiais/22700-censo-2022-contou-2-4-milhoes-de-pessoas-diagnosticadas-com-autismo-no-brasil.htmlSong et al. — The prevalence of adult attention-deficit hyperactivity disorder: A global systematic review and meta-analysishttps://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33692893/Ayano et al. — Prevalence of attention deficit hyperactivity disorder in adults: Umbrella review of evidence generated across the globehttps://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37708807/Lei nº 12.764/2012 — Lei Berenice Pianahttps://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12764.htmLei nº 8.213/1991 — Lei de Cotas para Pessoas com Deficiência, especialmente artigo 93https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8213compilado.htm







