pystta.

31 de out · Saúde e Bem-estar

PSICANÁLISE E CRIMINOLOGIA

Comprar · R$ 150,00

A compra acontece no site da Sympla. Com taxa, a partir de R$ 165,00.

Sobre o evento

EMENTASua ementa articula a distinção entre agressividade, transgressão fantasmática, acting-out e passagem ao ato (passage à l'acte), oferecendo ferramentas conceituais e técnicas para que o clínico identifique a iminência do colapso da contenção simbólica e adote um manejo transferencial que neutralize o empuxo ao ato destrutivo. Os objetivos centrais consistem em: delimitar as fronteiras conceituais entre o paciente sem risco criminológico e o paciente em risco iminente de descompensação violenta; mapear os pródromos subjetivos da passagem ao ato na neurose grave, na psicose e na perversão; e circunscrever as diretrizes de manejo da transferência e da palavra para conter a desestabilização do laço e evitar o desencadeamento de atos violentos. JUSTIFICATIVAO curso Psicanálise e Criminologia: Introdução ao Diagnóstico Diferencial do Risco Criminológico na Clínica Psicanalítica se fundamenta na necessidade de compreender os modos pelos quais a violência emerge em sujeitos inseridos em uma sociedade marcada pelo fetichismo da mercadoria, pelo irracionalismo ideológico e pela manipulação sistemática do mercado. Em um contexto em que os laços sociais são frequentemente atravessados por dinâmicas de consumo e espetacularização, torna-se essencial investigar como tais condições produzem subjetividades vulneráveis ao colapso da contenção simbólica e à passagem ao ato. A psicanálise, ao articular escuta clínica e análise estrutural, oferece ferramentas para distinguir entre manifestações de agressividade simbólica e riscos efetivos de desencadeamento violento. A criminologia, por sua vez, permite situar tais fenômenos no campo das práticas sociais e institucionais. A integração entre ambas possibilita não apenas o diagnóstico diferencial do risco criminológico, mas também a construção de estratégias de prevenção que preservem o sujeito em sua singularidade, evitando que a lógica punitiva e mercadológica reduza a violência a mero objeto de gestão. Assim, o curso se justifica pela urgência de formar clínicos capazes de reconhecer os pródromos subjetivos da violência e de manejar a transferência em cenários de risco, contribuindo para a contenção ética da agressividade e para a crítica às formas de irracionalismo e manipulação que permeiam uma sociedade do capital.PROGRAMAA estrutura programática organiza-se de forma estritamente contínua ao longo dos quatro encontros quinzenais.Aula 1: Agressividade, Culpa e Transgressão — Os Fundamentos do Paciente sem Risco Criminológico, debruça-se sobre a constituição do sujeito e as manifestações de hostilidade que não configuram risco de letalidade ou lesão real contra outrem. Aborda-se a teorização freudiana sobre o crime e a culpa, na qual o sintoma transgressor visa comumente convocar a autoridade ou produzir uma punição externa capaz de aliviar a tirania de um supereu severo. Nesse encontro, investiga-se como a agressividade imaginária descrita por Lacan no estádio do espelho difere do ódio aniquilador, demonstrando que o paciente neurótico preserva o estatuto do semelhante enquanto sujeito barrado, mantendo a agressividade contida no campo do discurso, do recalque e da rivalidade narcísica sem risco de fratura do pacto social. Aula 2: A Topologia do Ato — "Acting-out", Passagem ao Ato e a Emergência da Violência, dedica-se a estabelecer o ponto nodal da distinção clínica entre a encenação sintomática e o desenlace violento a partir das lições do Seminário 10 de Jacques Lacan. Enquanto o acting-out permanece como um apelo transferencial dirigido ao Outro — uma mensagem em cena que solicita decifração e sustenta a esperança de simbolização, preservando a vida —, a passagem ao ato (passage à l'acte) configura uma ruptura radical: o sujeito é ejetado da moldura fantasmática, desfaz o laço com o Outro e se confunde com o dejeto (l'objet a), caindo no real sem mediação da linguagem. O objetivo desta aula é capacitar o analista a reconhecer a subida vertiginosa da angústia sem borda significante e a rigidez corporal que anunciam a iminência da passagem ao ato destrutiva. Aula 3: Estruturas Clínicas e o Risco de Desencadeamento da Violência, examina as conjunturas em que a violência pode ser desfechada conforme os diferentes arranjos psíquicos. Investiga-se a paranoia e o crime passional ou persecutório, no qual o semelhante não é mais experienciado sob a ambivalência neurótica, mas se transforma no perseguidor absoluto que usurpa o gozo do sujeito, legitimando o assassinato como autodefesa imaginária legítima. Em contraste com a certeza delirante da psicose, analisa-se também a perversão sob o mecanismo do desmentido (Verleugnung), no qual a instrumentalização calculada do outro para extração de gozo opera sem apelo à culpa, configurando um risco frio e predador que demanda escuta cautelosa para não validar a sedução perversa no setting. Aula 4: A Condução do Tratamento Clínico e a Prevenção da Violência, sistematiza os princípios da direção da cura voltados especificamente para desativar a espiral da violência no consultório ou na instituição. O foco recai sobre a modulação da transferência: diante de sujeitos em risco de passagem ao ato, a postura analítica do silêncio enigmático, da interpretação da fantasia ou da frustração sistemática pode ser letal, pois é amiúde vivenciada pelo paciente como um gozo invasivo do Outro, precipitando a agressão como tentativa desesperada de separação. Discutem-se a função do analista como "secretário do alienado", a intervenção pela via do corte suave, a sustentação da palavra pacificadora, o empréstimo de um significante que bordeje o vazio da angústia e o uso de recursos de rede (interconsulta psiquiátrica cuidadosa, contenção institucional ou mediação familiar) sem trair a ética da singularidade. Trabalha-se, por fim, a construção de um roteiro ético para a avaliação qualitativa do risco criminológico, contrapondo a lógica do acolhimento da angústia e da estabilização simbólica aos protocolos estritamente punitivos.Aula 5: Análise psicanalítica de um filme: “A Sombra de uma Dúvida” (Shadow of a Doubt), dirigido por Alfred Hitchcock, é: HITCHCOCK, Alfred. A sombra de uma dúvida. Estados Unidos: Universal Pictures, 1943. METODOLOGIAA metodologia do projeto articula a exposição teórica rigorosa dos textos de Freud e Lacan à discussão clínica de vinhetas e fragmentos de casos clássicos da psicanálise (como o caso Aimée e o caso das irmãs Papin) e da jurisprudência, permitindo aos alunos visualizar a transição sutil entre o discurso queixoso e a iminência da ação.ATENÇÃO:As aulas virtuais serão realizadas quinzenalmente, aos sábados, das 19h às 21h, por meio do ambiente Google Meet do Canal da RET. Os(as) participantes inscritos receberão Certificado de Participação correspondente a 14 horas-aula, com chancela da RET (Rede de Estudos do Trabalho – www.estudosdotrabalho.netSerá disponibilizado aos participantes o link para download do filme que será objeto de análise.No grupo de WhatsApp do curso serão compartilhados outros materiais complementares, essenciais para o aprofundamento dos conhecimentos dos(as) alunos(as). BIBLIOGRAFIAFREUD, Sigmund. Alguns tipos de caráter encontrados no trabalho analítico (1916). In: FREUD, Sigmund. Introdução ao narcisismo, ensaios de metapsicologia e outros textos (1914-1916). Tradução de Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. p. 343-377. (Obras completas, v. 12).FREUD, Sigmund. O eu e o id (1923). In: FREUD, Sigmund. O eu e o id, "autobiografia" e outros textos (1923-1925). Tradução de Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. p. 13-74. (Obras completas, v. 16).LACAN, Jacques. Introdução teórica às funções da psicanálise em criminologia (1950). In: LACAN, Jacques. Escritos. Tradução de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998. p. 127-151. (Campo Freudiano no Brasil).LACAN, Jacques. O seminário, livro 10: a angústia (1962-1963). Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Tradução de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2005. 368 p. (Campo Freudiano no Brasil).LACAN, Jacques. O seminário, livro 3: as psicoses (1955-1956). Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Tradução de Aloísio Menezes. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1985. 366 p. (Campo Freudiano no Brasil).WINNICOTT, Donald Woods. A tendência antissocial (1956). In: WINNICOTT, Donald Woods. Da pediatria à psicanálise: obras escolhidas. Tradução de Davy Bogomoletz. Rio de Janeiro: Imago, 2000. p. 406-416. Cronograma das AulasAula 1 – dia 31 de outubro de 2026Aula 2 – dia 14 de novembro de 2026Aula 3 – dia 28 de novembro de 2026Aula 4 – dia 12 de dezembro de 2026 Aula 5 – dia 19 de dezembro de 2026

Eventos parecidos