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26 de ago · Cultura

AS PACIENTES DE FREUD: leituras FEMINISTAS sobre as histórias clássicas das mulheres

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Sobre o evento

Como ler os casos clínicos das pacientes de Freud a partir de uma leitura feminista e contemporânea?As formulações de Freud sobre o feminino — assim como sua escuta clínica — foram construídas em um contexto histórico e cultural marcado por perspectivas patriarcais, androcêntricas e falocêntricas. Revisitar a teoria sobre a sexualidade feminina e as histórias clínicas das mulheres atendidas pela psicanalise exige, portanto, considerar os atravessamentos sociais e culturais que participaram de sua construção e propor uma revisão da história.Neste curso, propomos uma releitura feminista dos casos clínicos de Freud,  buscando interrogar, atualizar e repensar as teorias psicanalíticas sobre a  feminilidade e suas consequências emocionais para as pacientes atendidas na virada do século XIX para XX. sabemos que muitas das análises dessas mulheres fracassaram devido a impossibilidade de Freud de escutar o feminino em outro lugar senão a partir de sua própria fantasia e de seus traumas.Esse curso se destina à psicanalistas, psicólogos e áreas afins e interessadas em refletir sobre as relações entre cultura, subjetividade e sexualidade feminina. Partiremos das profundas transformações que marcaram a passagem do século XIX para o XX e do XX para o século XXI — entre elas, a emancipação feminina, o voto das mulheres, a invenção da pílula anticoncepcional, o desenvolvimento das técnicas de reprodução assistida, a liberação sexual, ao nascimento e renascimento do feminismo pelo mundo, o advento das tecnologias e da virtualidade e o avanço do neoliberalismo no mundo.Essas transformações produziram novas formas de viver o corpo, a sexualidade, a maternidade, o amor, o erotismo. Também trouxeram novos impasses, sintomas e modos de sofrimento que atravessam a experiência das mulheres desde a modernidade até a contemporaneidade.Acreditamos que a escuta clínica não pode se dissociar dos contextos sociais, históricos e culturais que constituem os sujeitos. Por isso, torna-se fundamental escutar como esses atravessamentos se inscrevem nos sintomas, nos conflitos e nas formas de sofrimento apresentadas pelas mulheres que foram atendidas por Freud pelo nascente método psicanalítico, inventado para dar conta de algo que a medicina não conseguiu desvendar.Serão discutidos nessa primeira parte do curso 4 casos clínicos freudianos, entre eles os clássicos Caso Dora e o Caso Irma, a partir de biografias e dados históricos sobre essas mulheres, além das descrições dos casos por Freud e Lacan. O que nos interessa mais nessas releituras é reescrever a história dessas mulheres para além da psicanálise com a ajuda de pensadoras contemporâneas a Freud e a nós.Izabel Haddad é escritora e psicanalista, professora da disciplina Figuras Clínicas do Feminino no Mal estar contemporâneo (PUC - MINAS), autora do livro Uma mulher e seus extravios (2017). Marina Otoni é psicanalista, coordenadora da pós graduação em Psicanálise e Direito (PUC MINAS),, professora de cursos livres de psicanálise.

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